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Trump comemora 80 anos com evento de lutas do UFC na Casa Branca

14 de Junho de 2026 às 12:07

Donald Trump comemora 80 anos com evento do UFC no Gramado Sul da Casa Branca, com custo superior a US$ 60 milhões. A celebração mobilizou sete agências governamentais e causou o adiamento da cúpula do G7. A empresa World Liberty Financial patrocina um fundo de bônus de US$ 250 mil para os lutadores

Trump comemora 80 anos com evento de lutas do UFC na Casa Branca
AP

O presidente Donald Trump celebra seus 80 anos neste domingo (14) com a realização de um evento de lutas do UFC no Gramado Sul da Casa Branca. A comemoração, que ocorre no Dia da Bandeira e durante o aniversário de 250 anos dos Estados Unidos, contará com a presença de parlamentares republicanos, altos funcionários do governo e líderes do gabinete, além de 4 mil espectadores em uma arena temporária chamada "The Claw". Milhares de outras pessoas devem acompanhar as lutas por telões instalados na vizinha Ellipse.

A magnitude do evento impactou a agenda internacional, levando os líderes do G7 a adiarem sua cúpula para permitir que o presidente participe da festa antes de seguir para as reuniões na França. A organização do espetáculo envolveu sete agências governamentais, com gastos superiores a US$ 60 milhões e a mobilização de dezenas de milhares de horas de trabalho, segundo dados do Serviço Nacional de Parques apresentados em ação judicial. Embora a Casa Branca afirme que o UFC está custeando o evento, a World Liberty Financial — empresa de criptomoedas da família Trump, administrada por seu filho Zach e cofundada por Steve Witkoff — entrou como parceira oficial para criar um fundo de bônus de US$ 250 mil para os atletas vencedores.

A escolha do formato de celebração contrasta com a marcação de 80 anos de seu antecessor, Joe Biden, que em novembro de 2022 optou por um brunch familiar privado. Trump agora detém o título de pessoa mais velha a ser eleita presidente do país, embora esteja impedido constitucionalmente de concorrer a novo mandato. Esse cenário ocorre em meio a questionamentos sobre sua saúde física e mental; uma pesquisa de abril, realizada pelo Washington Post/ABC News/Ipsos, indicou que menos da metade dos adultos americanos considera que ele possui a agilidade mental e a saúde necessárias para o cargo. Em resposta, o deputado Ronny Jackson, ex-médico da Casa Branca, classificou tais preocupações como ficção, enquanto o Dr. Sean Barbabella, médico atual da residência oficial, declarou que o presidente goza de excelente saúde após quatro exames físicos realizados neste mandato.

O espetáculo ocorre em um momento de desgaste político e pressões externas. Trump enfrenta a condução de uma guerra onerosa e impopular no Irã, conflito iniciado sob sua gestão. Apesar de a Casa Branca sinalizar que um acordo de encerramento pode estar próximo, detalhes fundamentais ainda dependem de negociação. Somam-se a isso a inflação, os altos preços dos combustíveis e a queda nos índices de aprovação presidencial.

Paralelamente às festividades, o nome do presidente foi removido do Kennedy Center, a cerca de um quilômetro do local da festa, após decisão judicial. No campo simbólico, Mike Fontaine, professor de estudos clássicos da Universidade Cornell, associa a estratégia de promover lutas brutais em um momento de crise política ao conceito de "pão e circo" da Roma Imperial, utilizado para distrair a população e reforçar a popularidade de governantes.

A logística do evento também enfrenta desafios climáticos. Tempestades e raios interromperam a sessão promocional realizada na sexta-feira no Lincoln Memorial, e a previsão do tempo para a noite de domingo permanece instável. Sobre a escolha do local, a porta-voz da Casa Branca, Allison Schuster, defendeu que a realização do evento na "casa do povo" é uma homenagem adequada à nação.

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