Trump convoca reunião de emergência para discutir a retomada de ataques ao território iraniano
Donald Trump convocou reunião de emergência com a cúpula do governo nesta segunda-feira (11) para discutir a retomada de ataques ao Irã. A decisão ocorre após a rejeição de uma contraproposta de Teerã e o impasse nas negociações de paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de emergência com a cúpula de seu governo nesta segunda-feira (11) para discutir a possibilidade de retomar ataques ao território iraniano. A medida ocorre após o impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, com Trump classificando o cessar-fogo vigente, implementado em 8 de abril, como estando "por um fio". O encontro reúne nomes centrais da administração, como o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Guerra Pete Hegseth, o enviado especial Steve Witkoff, o diretor da CIA John Ratcliffe e o general Dan Caine, chefe das Forças Armadas.
A crise diplomática se intensificou após Donald Trump rejeitar, no domingo (10), a contraproposta de Teerã para o encerramento do conflito, definindo as condições impostas pelo Irã como inaceitáveis. Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, defendeu nesta segunda-feira que as exigências de seu país são legítimas e generosas, enquanto classificou as demandas norte-americanas como unilaterais e irracionais.
No centro da disputa estão a soberania territorial e o programa nuclear. O Irã exige o controle sobre o Estreito de Ormuz, via crucial para o comércio global de petróleo, e a liberação de ativos congelados em bancos por pressão dos EUA, além do fim do bloqueio naval e do pagamento de indenizações pelos danos da guerra. No campo nuclear, Teerã aceita suspender o enriquecimento de urânio por um período menor do que os 20 anos exigidos por Washington, propõe diluir parte do material altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, com a garantia de devolução caso o acordo fracasse. O governo iraniano recusa, porém, o desmantelamento de suas instalações nucleares.
Por outro lado, os Estados Unidos haviam flexibilizado a exigência inicial de cancelamento total do programa de enriquecimento de urânio, passando a solicitar a suspensão por duas décadas e a desativação das principais usinas nucleares. Washington também demanda a supervisão internacional do Estreito de Ormuz para garantir que o canal não seja fechado, além de impor limites à produção de mísseis e exigir que o Irã cesse o financiamento de grupos como o Hamas e o Hezbollah. Em contrapartida, os EUA ofereceriam a suspensão de sanções econômicas via Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), o que aliviaria a crise financeira de Teerã.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por meio de ofensivas de Israel e Estados Unidos contra o Irã, permanece sem solução definitiva mais de um mês após a trégua. O Irã condiciona a paz ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o embate entre Israel e Hezbollah no Líbano, e solicita garantias formais contra novos ataques. A instabilidade nas negociações provocou nova alta no preço do petróleo nesta segunda-feira.