Mundo

Ucrânia desenvolve drones de ataque com inteligência artificial e maior capacidade de carga útil

12 de Maio de 2026 às 17:10

A Ucrânia desenvolveu a série de drones Kazhan, com alcance de até 25 quilômetros, carga útil de 30 quilos e sistema de mira por inteligência artificial. O equipamento custa 20 mil dólares e utiliza baterias de estado sólido e conectividade via satélite

Ucrânia desenvolve drones de ataque com inteligência artificial e maior capacidade de carga útil
Reactive Drone

A evolução dos drones de ataque ucranianos transformou a dinâmica do conflito desde o início da invasão russa em 2022, consolidando-se como ferramentas essenciais para barrar o avanço de blindados em direção à capital Kiev. O desenvolvimento começou com o modelo R18, criado por voluntários da Aerorozvidka. Esse aparelho, capaz de carregar cinco quilos de explosivos — frequentemente cabeças de lança-granadas RPG-7 recicladas —, possuía um alcance limitado a cinco quilômetros, o que obrigava os operadores a se deslocarem em quadriciclos para perto das linhas inimigas. Apesar da limitação, o R18 foi eficaz na destruição de dezenas de tanques ao atingir a parte superior de suas blindagens.

Essa base tecnológica evoluiu para a série Kazhan, produzida pela empresa Reactive Drone. Apelidado de "Baba Yaga", em referência a uma bruxa do folclore eslavo, o modelo surgiu no final de 2022 e entrou em produção em larga escala em 2024. O Kazhan representa um salto em capacidade: seu alcance operacional varia entre 10 e 25 quilômetros, podendo dobrar em missões suicidas contra alvos estratégicos. A carga útil subiu para até 30 quilos, com configurações versáteis que incluem quatro cargas de quatro quilos para tanques, munições antipessoal com raio letal de 50 metros ou uma única bomba de 30 quilos para a destruição de bunkers.

A precisão dos ataques também foi modernizada. Enquanto em 2022 os lançamentos eram manuais e imprecisos, o Kazhan utiliza inteligência artificial integrada para fixar alvos, rastreá-los e determinar coordenadas automaticamente. O sistema compensa variáveis como vento, altitude e velocidade, permitindo que o operador apenas selecione o alvo, com registros de acertos em veículos em movimento logo na primeira tentativa.

Para garantir a conectividade, o drone utiliza três canais simultâneos: rádio digital de banda dupla, rede móvel LTE e Starlink. O uso de satélites elimina barreiras geográficas e de distância, embora a dependência exclusiva desse sistema seja considerada arriscada devido a possíveis interferências climáticas ou decisões unilaterais de Elon Musk sobre o acesso ao serviço.

No aspecto técnico, a Reactive Drone desenvolveu baterias de estado sólido Li-Po com aquecimento automático, essenciais para a operação durante o inverno. Parte da produção dessas baterias foi transferida para a Polônia. Quanto ao armamento, o sistema mantém a eficiência de custo ao utilizar munições soviéticas adaptadas, como bombas de mortero de 82 mm (30 dólares) e minas antitanque TM-62 (600 dólares). Com um custo unitário de aproximadamente 20 mil dólares, a escala de implantação é massiva; o valor de um único MQ-9 Reaper americano permitiria a compra de mil unidades do Kazhan, que suportam cerca de 100 voos cada.

A resiliência do equipamento foi projetada para enfrentar as contraofensivas russas, que incluem interceptores FPV e bloqueadores de sinal. Graças à propulsão descentralizada e à ausência de depósitos de combustível, o Kazhan consegue absorver impactos de armas leves e drones FPV. O sistema de controle de voo compensa danos automaticamente, permitindo que a plataforma retorne à base mesmo após a perda de motores em configurações de hexacóptero.

Atualmente, nem a Rússia nem os países da OTAN possuem sistemas equivalentes em produção em massa. A lacuna tecnológica é evidenciada pelo fato de as forças russas utilizarem drones ucranianos capturados em combate. Para Artem Kolesnyk, diretor de tecnologia da Reactive Drone, a inovação ucraniana serve como um teste para a indústria de defesa ocidental, desafiando a capacidade de adaptação de modelos de aquisição e estruturas de forças para operações de alto impacto e baixo custo.

Os próximos desenvolvimentos preveem maior autonomia, resistência a guerras eletrônicas e aprimoramento dos sistemas de IA, embora a decisão final do ataque permaneça sob controle humano.

Notícias Relacionadas