Ucrânia firma acordos de defesa com países do Golfo para compartilhar tecnologia de drones
A Ucrânia firmou acordos de defesa e tecnologia de drones com Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, atraindo auxílios militares da Noruega e Alemanha. Ataques a infraestruturas petrolíferas russas reduziram a arrecadação de Moscou em US$ 1 bilhão, enquanto a mudança política na Hungria liberou US$ 105 bilhões da União Europeia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/B/l/gNkZerR6qTFqTHKfCFyQ/17955300-4941-11f1-ac78-2112837ce2aa.jpg.webp)
A Ucrânia tem implementado uma estratégia diplomática e militar para transformar as repercussões da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã em vantagens táticas, buscando fortalecer sua posição diante de possíveis negociações de paz com a Rússia. O presidente Volodymyr Zelensky intensificou visitas a países do Golfo, como a Arábia Saudita, com o objetivo de estreitar alianças e expandir intercâmbios comerciais e de defesa.
Kiev firmou acordos com o Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita — nações que sofreram ataques recentes de drones e mísseis iranianos. A cooperação foca no compartilhamento de tecnologia de drones e conhecimentos de defesa. Zelensky argumenta que a Ucrânia desenvolveu sistemas de interceptação de baixo custo, na casa dos US$ 10 mil, capazes de neutralizar drones como o Shahed-136 (de origem iraniana), cujo valor de mercado varia entre US$ 80 mil e US$ 130 mil. Essa eficiência atraiu a atenção da Otan, resultando em pacotes de ajuda militar da Noruega, no valor de US$ 8,6 bilhões, e da Alemanha, em US$ 4,7 bilhões.
Além da tecnologia, a Ucrânia adaptou sua estratégia militar ao observar o conflito no Oriente Médio, priorizando ataques de drones contra a infraestrutura de exportação de petróleo russa. Embora a Rússia tenha aumentado a receita petrolífera inicialmente devido à alta dos preços globais e à flexibilização de sanções americanas, ataques ucranianos na quarta semana do conflito no Irã reduziram a arrecadação de Moscou em US$ 1 bilhão.
No campo financeiro, a mudança política na Hungria, com a derrota de Viktor Orbán nas eleições de abril e a ascensão de Péter Magyar, destravou um empréstimo de US$ 105 bilhões respaldado pela União Europeia. O recurso é considerado urgente para a produção e aquisição de armamentos no próximo ano.
Apesar desses avanços, a relação com o governo de Donald Trump apresenta instabilidades. O presidente americano demonstrou confiança em resolver o conflito com Vladimir Putin rapidamente, mas a promessa de encerrar a guerra em 24 horas não se concretizou. Enviados de Trump, como Jared Kushner e Steve Witkoff, visitaram Moscou diversas vezes, mas nunca foram oficialmente a Kiev, o que foi classificado por Zelensky como falta de respeito.
A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos também gera preocupação na Europa por não classificar a Rússia como uma ameaça à segurança, focando em "estabilidade estratégica" e possível associação com o Kremlin para liberar recursos americanos para outras prioridades. Atualmente, a ajuda militar direta dos EUA está praticamente esgotada, e a Europa tem financiado o material enviado a Kiev.
Enquanto a União Europeia trabalha no 21º pacote de sanções, há críticas sobre a hesitação de Bruxelas em utilizar os US$ 245 bilhões de ativos congelados do Banco Central russo para ajudar a Ucrânia. Especialistas e autoridades europeias temem que a Rússia, mesmo com economia estagnada, mantenha sua determinação imperialista, podendo desestabilizar outros países da Otan após um eventual cessar-fogo.
Nesse cenário, a Ucrânia busca garantir que a atenção de Washington retorne ao Leste Europeu, enquanto tenta assegurar garantias de segurança internacionais que impeçam novas incursões russas em seu território.