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Ucrânia licencia tecnologia de drones e firma acordos de defesa com potências ocidentais e orientais

12 de Junho de 2026 às 06:32

A Ucrânia licencia tecnologia de drones para países do Ocidente e do Oriente Médio, incluindo a produção conjunta de sistemas no Canadá. O país desenvolveu interceptores de baixo custo, como o Sting e o Merops, integrando-os à defesa dos Estados Unidos. A estratégia militar ucraniana prioriza o uso de drones para reduzir perdas humanas e custos operacionais

Ucrânia licencia tecnologia de drones e firma acordos de defesa com potências ocidentais e orientais
Sky News

A Ucrânia consolidou-se como um polo global de inovação em tecnologia de drones, transformando a necessidade de sobrevivência em um modelo de exportação de defesa. O país, que iniciou o conflito com a Rússia em 2022 adaptando drones comerciais para fins militares, agora licencia sua tecnologia para as potências ocidentais e nações do Oriente Médio.

A mudança de patamar é evidenciada por acordos estratégicos recentes. Em 29 de maio, os ministérios da Defesa da Ucrânia e do Canadá firmaram a produção conjunta de sistemas ucranianos em solo canadense, com a entrega total da produção às Forças Armadas ucranianas. Esse movimento soma-se a parcerias de cooperação defensiva estabelecidas em 2026 com Alemanha, Noruega, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, além da instalação de fábricas ucranianas no Reino Unido, Dinamarca e Romênia.

A demanda internacional cresceu após ataques iranianos a bases americanas e governos no Oriente Médio em abril de 2026. Em resposta, a Ucrânia enviou especialistas ao Kuwait, Jordânia, Arábia Saudita, Catar e Emirados para fortalecer a defesa contra drones iranianos, resultando em três acordos de cooperação militar. O interesse externo reside na validação desses sistemas em combate real, testados contra artilharia, blindados, defesa aérea e guerra eletrônica — condições difíceis de replicar em tempos de paz.

O diferencial ucraniano é a eficiência de custo. Enquanto os Estados Unidos e aliados gastaram mais de 4 bilhões de dólares em interceptores de mísseis Patriot na primeira semana de guerra — onde baterias de 1 bilhão de dólares eram usadas para derrubar drones iranianos de 20 mil dólares —, a Ucrânia desenvolveu alternativas acessíveis. Um drone FPV ucraniano custa entre 300 e 400 dólares, e o interceptor Sting, da Wild Hornets, custa 2.500 dólares. O Sting atinge 314 km/h e já abateu 3.900 drones inimigos desde maio de 2025.

Outros modelos exemplificam essa evolução: o SkyFall P1-SUN, impresso em 3D, custa 1.000 dólares e opera com visão artificial e imagem térmica a 451 km/h. Já o Octopus, da Ukrspecsystems, opera à noite e penetra bloqueios eletrônicos a 4.500 metros de altitude, sendo fabricado por mais de 15 empresas ucranianas e licenciado para produção doméstica no Reino Unido. Esse precedente levou Alemanha, França, Itália, Polônia e Reino Unido a concordarem no desenvolvimento de um interceptor acessível conjunto.

Atualmente, 80% dos ataques ucranianos no front utilizam drones. A estratégia militar prioriza a retirada de humanos do campo de batalha para minimizar perdas, dada a disparidade populacional entre Ucrânia (30 milhões) e Rússia (140 milhões). A economia do conflito também mudou: a eliminação de um alvo russo custa cerca de 600 dólares (incluindo vigilância e operador), contra 5.000 ou 6.000 dólares de um obuseiro de artilharia convencional de 155 mm.

Para evitar a destruição total por mísseis russos, a Ucrânia abandonou as megafábricas em favor de centenas de pequenas instalações dispersas. O modelo de produção é modular: as unidades de campo adquirem o corpo principal do drone e adicionam a carga necessária, como chips de IA, GPS, cabos de fibra óptica para evitar bloqueios de sinal ou termita para perfurar blindagens.

Essa expertise chegou ao Departamento de Defesa dos EUA. A Força de Tarefa Interagencial Conjunta 401 está integrando os interceptores Merops ucranianos na Operação Epic Fury. Com custo de 14.500 dólares, o Merops é lançado de vans, operado por quatro pessoas e utiliza IA para interceptações autônomas. Paralelamente, o governo de Volodymyr Zelensky confirmou, em 31 de maio, a assinatura dos requisitos de certificação dos EUA para sistemas aéreos, terrestres e navais, visando um memorando de entendimento para uma parceria ampla que integraria a tecnologia ucraniana à infraestrutura de defesa americana.

A evolução tecnológica é acelerada, com ciclos de obsolescência de seis semanas. Enquanto a Rússia desenvolveu o drone Geran-5, que voa a 595 km/h para superar as defesas atuais, a China passou a desenvolver navios e sistemas terrestres capazes de transportar milhares de drones. O cenário reflete a transição de um país que montava equipamentos em garagens para um exportador de doutrina militar tecnológica.

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