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Ucrânia registra primeiros protestos contra Volodymyr Zelensky após demissão do ministro da Defesa

16 de Julho de 2026 às 15:05

Cidades da Ucrânia registraram protestos nesta quinta-feira (16) contra a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. Manifestantes pedem a volta do ministro e a rejeição de novas indicações ministeriais feitas pelo presidente Volodymyr Zelensky

Ucrânia registra primeiros protestos contra Volodymyr Zelensky após demissão do ministro da Defesa
REUTERS/Thomas Peter

Manifestações populares tomaram as ruas de diversas cidades da Ucrânia nesta quinta-feira (16), em resposta à demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. O movimento, que ocorreu em centros urbanos como Kiev, Kharkiv e Lviv, marca a primeira vez que o presidente Volodymyr Zelensky enfrenta protestos desde o início de seu mandato e do conflito com a Rússia.

Os manifestantes exigem a recondução de Fedorov ao cargo e pedem que o congresso ucraniano rejeite as novas indicações ministeriais feitas pelo presidente. A saída do ministro integra uma reforma ministerial mais ampla, anunciada no último domingo, e ocorre após o Parlamento ter aprovado, na terça-feira (14), a renúncia da primeira-ministra Ioulia Svyrydenko.

Gestão e inovações tecnológicas

Nomeado em janeiro deste ano aos 35 anos, Fedorov tornou-se o ministro da Defesa mais jovem da história do país. Sua gestão foi focada em modernizar o esforço de guerra após quatro anos de invasão russa, com ênfase na incorporação de novas tecnologias para reduzir a perda de vidas de soldados.

Entre as principais entregas de seu curto mandato, destacam-se:
* Drones: Aceleração da produção e uso de drones, com a aquisição de mais unidades em quatro meses do que em todo o ano anterior.
* Starlink: Articulação para que o sistema de internet do bilionário Elon Musk bloqueasse o acesso das tropas russas.
* Combate à corrupção: Reformulação dos sistemas de compra de equipamentos militares para evitar fraudes e a demissão de figuras polêmicas dentro da pasta.

Tensões internas e repercussões

A saída de Fedorov é atribuída, por parte dos manifestantes, a um desgaste na relação com o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. O conflito teria sido motivado pelas reformas implementadas pelo ministro, que incluiu demissões no comando da pasta. Em sua mensagem de despedida, Fedorov classificou a reformulação dos contratos militares como uma medida "impopular, mas extremamente necessária".

A demissão gera preocupação em setores da sociedade civil e ativistas anticorrupção. A diretora da ONG Mezha, Martina Boguslabets, manifestou oposição à substituição de Fedorov pelo atual ministro do Interior, Ihor Klymenko, sob a justificativa de que este último lidera uma das estruturas mais corruptas da Ucrânia.

A população teme que o afastamento de um ministro visto como eficiente e honesto represente um retrocesso, devolvendo a influência a alas tradicionais do governo em um momento crítico para a defesa nacional. Os novos nomes indicados por Zelensky ainda aguardam a aprovação do parlamento.

Com informações de G1

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