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Ucrânia utiliza drones de médio alcance para bloquear a logística de abastecimento do exército russo

22 de Junho de 2026 às 09:08

A Ucrânia utiliza drones de médio alcance para destruir a infraestrutura logística e militar russa, com produção de 200 unidades diárias. A estratégia reduziu em 71% o fluxo de mercadorias na ponte de Chonhar e atingiu a refinaria de Kapotnya, em Moscou. O volume de missões desse tipo cresceu 28 vezes no último ano

Ucrânia utiliza drones de médio alcance para bloquear a logística de abastecimento do exército russo
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A Ucrânia implementou uma estratégia de "bloqueio logístico" utilizando drones de médio alcance para desestruturar a capacidade de abastecimento do exército russo, transformando estradas, pontes e ferrovias em zonas de combate. A operação, coordenada pelo ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, visa a destruição sistemática da infraestrutura militar russa em pontos distantes da linha de frente.

O arsenal utilizado compreende aeronaves com alcance entre 50 e 300 quilômetros, com destaque para os modelos FP-1 e FP-2, da empresa Fire Point, e o Behemoth, que atinge 180 km/h transportando 70 quilos de carga. A produção chega a 200 unidades diárias, com custo unitário de 50 mil dólares, tornando ataques em larga escala financeiramente equivalentes ao disparo de quatro mísseis Tomahawk.

As Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia registraram um aumento de 28 vezes no volume de missões de médio alcance no último ano. O plano de Kiev divide-se em três frentes: a supressão do potencial ofensivo russo, a criação de entraves logísticos e a neutralização de defesas aéreas em áreas ocupadas para viabilizar a passagem de drones de maior alcance.

Os impactos são severos no sul da Ucrânia e na Crimeia. Na rodovia que liga a Crimeia a Melitopol, há registros de diversos tanques e caminhões destruídos. O fluxo de mercadorias pela ponte de Chonhar, conexão terrestre fundamental, sofreu uma queda de 71% em apenas duas semanas, segundo o comandante das forças de drones ucranianas, Robert Brovdi. Tentativas russas de desviar o tráfego por Armiansk também foram neutralizadas por ataques a comboios, que chegaram a concentrar 50 veículos no local, conforme relatou Dmytro Filatov, comandante do Primeiro Regimento de Assalto Separado.

Essa asfixia logística resultou em escassez de combustível na Crimeia, levando o governo regional pró-Rússia a restringir o fornecimento de gasolina apenas a órgãos governamentais, excluindo empresas e a população civil.

A ofensiva também atingiu o interior da Rússia. Em 18 de junho, a refinaria de Kapotnya, no sul de Moscou, foi alvo de ataques que causaram explosões e incêndios. A operação danificou as unidades AVT-6, essenciais para a destilação de querosene, diesel e gasolina. Como a primeira unidade já havia sido atingida anteriormente na mesma semana, a inativação de ambas pode paralisar a refinaria por tempo indeterminado, agravada pela dependência de peças alemãs e pelas sanções internacionais.

O ex-oficial do exército australiano Mick Ryan classifica a tática ucraniana como um sistema de três níveis — campo de batalha, linhas de suprimento e território russo — que degrada a capacidade ofensiva de Moscou e prepara o terreno para futuras contraofensivas. Contudo, o Institute for the Study of War alerta que essa janela de oportunidade é limitada, pois a Rússia já trabalha em mecanismos de defesa contra a tecnologia de drones.

Desde maio, o grupo Geoconfirmed geolocalizou cerca de 150 ataques contra veículos militares, caminhões-tanque e infraestruturas de apoio, embora a estimativa seja de que o número real de ofensivas seja superior.

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