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Ucrânia utiliza inteligência artificial e máquinas remotas para acelerar a desminagem de seu território

03 de Maio de 2026 às 06:09

A Ucrânia possui cerca de 132 mil km² de território contaminados por minas e munições. A organização HALO Trust utiliza inteligência artificial, drones e máquinas remotas para otimizar a desminagem, que segue ocorrendo manualmente em áreas prioritárias. A ONU indica que a recuperação total do solo levará ao menos dez anos

A Ucrânia enfrenta atualmente o cenário de maior contaminação por minas do mundo, com a estimativa de que até 144 mil km² do território nacional estejam comprometidos por explosivos e munições não detonadas. De acordo com a Plataforma Nacional de Ação contra Minas da Ucrânia e dados da plataforma estatal Demining Ukraine, cerca de 132 mil km² — área comparável à extensão da Grécia — ainda apresentam riscos, enquanto aproximadamente 42 mil km² já foram recuperados e tornados seguros.

Para lidar com a magnitude do problema, a organização humanitária HALO Trust, que mantém cerca de 1.350 profissionais no país, integrou tecnologias avançadas ao trabalho de campo. O uso de inteligência artificial para analisar imagens de drones permite a identificação de crateras, munições abandonadas e minas com 70% de precisão. Embora a ferramenta não substitua a verificação humana, ela otimiza a triagem de áreas e reduz a exposição direta dos trabalhadores a zonas de perigo.

As operações de limpeza ocorrem tanto em regiões próximas à linha de frente quanto em localidades onde os combates já cessaram, como no vilarejo de Myrotske, a 40 quilômetros de Kyiv. Nessa região, que foi ocupada por forças russas em 2022, a HALO Trust intensificou a atuação após um militar ucraniano ter sido ferido por uma mina antipessoal ao coletar lenha. O trabalho no local combina a varredura manual lenta, com detectores de metal, e o uso de maquinário pesado adaptado.

Um exemplo dessa modernização é a utilização de escavadeiras operadas remotamente. O operador, como ocorre com Oleksandr Liatsevych, conduz o equipamento à distância por meio de joysticks e óculos de realidade virtual, permanecendo protegido em uma estrutura de aço enquanto a máquina tritura materiais suspeitos e revolve a terra.

Apesar da tecnologia, a desminagem manual permanece essencial. Profissionais como Olha Kava, ex-agente de viagens, realizam a busca tátil de explosivos sob vegetação, utilizando coletes e viseiras de proteção. O perfil dessas equipes reflete a mobilização civil ucraniana, com trabalhadores vindos de diversas profissões que passaram por treinamento especializado para atuar na recuperação do solo.

A ONU na Ucrânia ressalta que a presença de artefatos explosivos impede o plantio agrícola, atrasa a reconstrução de infraestruturas e bloqueia o retorno de populações às suas casas. Por isso, a prioridade das operações recai sobre áreas agrícolas, estradas e pontos de circulação civil.

A complexidade do terreno e a extensão da contaminação indicam que a desminagem total do país não ocorrerá em menos de dez anos. O processo de devolução das terras ao uso civil exige um protocolo rigoroso que envolve pesquisa, marcação, limpeza e verificação final, integrando a análise de IA, a observação por drones, a força de máquinas remotas e a confirmação humana.

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