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Uganda confirma três novos casos de ebola e eleva total de infecções para cinco

23 de Maio de 2026 às 12:07

Uganda registrou três novos casos de ebola, totalizando cinco infecções desde 15 de maio. Entre os infectados estão um motorista, uma profissional de saúde e uma congolesa. O governo suspendeu transportes públicos para a República Democrática do Congo

Uganda confirmou, neste sábado (23), a detecção de três novos casos de ebola, elevando para cinco o número total de infecções no país desde 15 de maio. Naquela data, haviam sido registrados os dois primeiros casos, dos quais um resultou em óbito.

A disseminação recente reflete a mobilidade na região e a conexão com a epidemia no leste da República Democrática do Congo (RDC). Entre os novos pacientes estão um motorista ugandense, que transportou o primeiro caso confirmado no país, e uma profissional de saúde contaminada durante o atendimento a esse mesmo paciente; ambos seguem em tratamento. O terceiro caso é de uma mulher congolesa que ingressou em Uganda por via aérea.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o risco de expansão da doença como "muito elevado". Na RDC, país com cerca de 100 milhões de habitantes, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou na sexta-feira (22) a existência de quase 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas. O dirigente alertou que o vírus se propaga rapidamente, exigindo coordenação entre governos, organismos internacionais e entidades humanitárias.

Como medida de contenção, o governo de Uganda suspendeu, na última quinta-feira (21), todos os transportes públicos com destino à RDC para evitar a importação de novos casos. As autoridades ugandenses também mantêm sob monitoramento todas as pessoas que tiveram contato com os infectados para interromper a cadeia de transmissão.

A resposta sanitária é dificultada pela ausência de vacina específica e de tratamento aprovado para a cepa atual, o que torna indispensáveis o isolamento de pacientes, o rastreamento de contatos e a aplicação de protocolos de proteção.

No campo científico, o Consórcio de Pesquisa sobre Filovírus, com apoio da OMS, realizou uma reunião virtual de emergência na sexta-feira (22). O encontro, que contou com mais de 1.300 participantes, buscou definir prioridades para respostas médicas, incluindo a criação de tratamentos para pacientes em centros especializados, que estão sendo implantados no leste da RDC. Uma das linhas de investigação prioritárias foca em anticorpos monoclonais, com um desenvolvimento conduzido por um laboratório norte-americano e financiado pelos Estados Unidos.

Julien Potet, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), pontuou que a definição de protocolos clínicos rigorosos para testar essas alternativas demandará semanas de coordenação. A MSF ressalta que a eficácia do combate à epidemia depende não apenas da ciência, mas da capacidade logística de disponibilizar vacinas e tratamentos em larga escala, com preços acessíveis à realidade econômica da região. Por isso, defende-se que o planejamento operacional e financeiro ocorra simultaneamente à pesquisa científica.

Com informações de G1

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