Vaticano ameaça Fraternidade São Pio X com excomunhão após anúncio de ordenação de novos bispos
O Vaticano alertou a Fraternidade São Pio X sobre a possibilidade de excomunhão caso o grupo ordene novos bispos sem a autorização do Papa Leão XIV. A notificação, emitida nesta quarta-feira (13), classifica a nomeação sem consentimento papal como um cisma
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O Vaticano notificou a Fraternidade São Pio X sobre o risco de excomunhão caso o grupo concretize a ordenação de novos bispos sem a autorização do Papa Leão XIV. A advertência, emitida nesta quarta-feira (13) pelo escritório doutrinário da Igreja, classifica a nomeação de bispos sem consentimento papal como um "cisma", caracterizando uma ruptura formal com a autoridade do pontífice.
Sediada na Suíça, a Fraternidade São Pio X é uma organização ultratradicionalista que rejeita as reformas do Concílio Vaticano II, ocorrido na década de 1960. Entre as divergências centrais está a permissão para que as missas sejam celebradas em idiomas locais, medida contestada pelo grupo, que defende a manutenção do rito exclusivamente em latim por considerá-lo mais formal e misterioso.
A tensão entre a fraternidade, que conta com 733 padres globalmente, e a Santa Sé persiste há décadas. Em 1988, o fundador do grupo, arcebispo Marcel Lefebvre, foi excomungado após ordenar quatro bispos sem a permissão do Papa João Paulo II. Posteriormente, o Papa Bento XVI buscou reestabelecer o diálogo e revogou as excomunhões remanescentes daquele processo.
A nova crise foi deflagrada em fevereiro, quando a liderança atual da fraternidade anunciou a intenção de ordenar novos bispos em julho, justificando a medida pela necessidade de expandir a quantidade de líderes religiosos do grupo.
Para a Igreja Católica, a consagração de bispos é um princípio rígido que exige a autorização do papa para preservar a sucessão apostólica, ligando a instituição aos 12 apóstolos de Jesus. A desobediência a essa norma resulta na excomunhão automática tanto do bispo que conduz a cerimônia quanto do indivíduo ordenado.