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Vaticano oficializa cisma da Fraternidade São Pio X e excomunga bispos do grupo ultraconservador

02 de Julho de 2026 às 06:12

O Vaticano oficializou a cisma da Fraternidade São Pio X e excomungou seus bispos, padres e fiéis. A medida ocorreu após a consagração de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. A Santa Sé invalidou os sacramentos celebrados pelo grupo

O Vaticano oficializou, nesta quinta-feira (2), a cisma da Fraternidade São Pio X, grupo católico ultraconservador, em relação à Igreja Católica. A decisão da Santa Sé resultou na excomunhão dos bispos ligados à organização e na invalidação de todos os sacramentos por eles celebrados. A medida estende-se a padres e fiéis leigos que aderirem ao grupo dissidente, os quais também passam a ser considerados excomungados e em situação de cisma.

A ruptura ocorre após a fraternidade desafiar a autoridade do papa Leão XIV ao consagrar quatro novos bispos — dois franceses, um suíço e um norte-americano — em uma cerimônia realizada em Écône, na Suíça. O evento, que reuniu milhares de pessoas na sede da organização, foi classificado pelo Vaticano como um ato cismático, já que a ordenação de bispos sem o consentimento pontifício rompe a comunhão com a Igreja.

Antes da consagração, o papa Leão XIV havia enviado uma carta ao superior da Fraternidade, o padre Davide Pagliarani, solicitando a renúncia ao projeto e alertando sobre as consequências da decisão. Com a concretização do ato, a Santa Sé advertiu que a Fraternidade São Pio X agora celebra sacramentos de forma ilícita, perdendo a validade perante a Igreja Católica para a realização de confissões e casamentos.

Fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X é o maior grupo dissidente do catolicismo tradicionalista. A organização surgiu para se opor às reformas do Concílio Vaticano II, ocorrido entre 1962 e 1965, que permitiu a substituição do latim pelas línguas nacionais nas missas, alterou a posição do padre para que celebrasse voltado aos fiéis e ampliou o diálogo inter-religioso. O grupo defende a reversão dessas mudanças, pregando o retorno da liturgia anterior ao concílio e a manutenção de uma interpretação rígida da doutrina.

Este novo conflito reabre um impasse histórico que atravessa seis pontificados. Em 1988, o fundador da comunidade também ordenou quatro bispos sem a autorização do papa João Paulo II, o que levou à excomunhão dos envolvidos na época. Embora a punição tenha sido suspensa em 2009 pelo papa Bento XVI em uma tentativa de reaproximação, a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular. A atual crise representa um dos primeiros grandes desafios ao governo de Leão XIV.

Com informações de G1

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