Vendas de abrigos subterrâneos particulares crescem na Alemanha devido à instabilidade geopolítica na Ucrânia
A invasão da Ucrânia pela Rússia elevou as vendas anuais de abrigos subterrâneos particulares na Alemanha de 70 para 200 unidades. Enquanto o mercado privado cresce, o governo planeja modernizar 579 abrigos públicos inoperantes e recrutar 80 mil soldados até 2035
A instabilidade geopolítica causada pela invasão da Ucrânia pela Rússia alterou a percepção de segurança na Alemanha, impulsionando a demanda por abrigos subterrâneos particulares. O cenário, que remete às memórias da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, provocou um salto nas vendas de bunkers: empresas do setor, que anteriormente comercializavam entre 50 e 70 unidades por ano, agora registram uma média de 200 vendas anuais.
Entre as opções disponíveis, destaca-se o "Safe Office", um escritório subterrâneo projetado para proteger contra radiação e explosões, com custo aproximado de R$ 800 mil. Os fabricantes comparam a aquisição desses sistemas à contratação de seguros residenciais ou de saúde, tratando a oferta como uma necessidade de segurança cotidiana.
A tendência se reflete em iniciativas individuais, como a de um ex-militar residente na Baviera. Durante a construção de sua casa, ele investiu cerca de 45 mil euros (aproximadamente R$ 270 mil) para erguer um abrigo equipado com cozinha, banheiro, camas, mesa de jantar e provisões. O espaço também abriga coletes à prova de balas, medidores de radiação e máscaras de gás. A decisão, motivada pelo noticiário atual e por lembranças da Guerra Fria, foi inicialmente questionada por sua esposa, que posteriormente concordou com a medida.
Paralelamente ao mercado privado, o Estado alemão enfrenta a obsolescência de sua infraestrutura de defesa civil. O país possui 579 abrigos públicos que podem comportar 480 mil pessoas — menos de 1% da população —, porém nenhum deles está operacional no momento.
Para reverter esse quadro, o governo planeja reativar parte dessas estruturas e modernizar os sistemas de emergência. A estratégia de defesa inclui ainda o reforço das Forças Armadas, com a meta de recrutar 80 mil novos soldados até 2035, sob a diretriz do Ministério da Defesa de que a nação deve estar preparada para um possível conflito.