Venezuela inicia terceiro dia de buscas por sobreviventes após terremotos mais potentes em um século
A Venezuela realiza o terceiro dia de buscas por sobreviventes após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingirem o norte do país na quarta-feira (24). O governo reportou 920 mortos, 3.360 feridos e 4 mil desabrigados, enquanto a ONU projeta mais de 50 mil desaparecidos. Equipes internacionais, incluindo a Força Aérea Brasileira, prestam auxílio nas operações de socorro
A Venezuela inicia, neste sábado (27), o terceiro dia de operações de busca por sobreviventes após os sismos mais potentes registrados no país em mais de um século. A tragédia foi desencadeada na noite de quarta-feira (24), quando a região norte, incluindo a capital Caracas, foi atingida por dois terremotos sucessivos, com magnitudes de 7,2 e 7,5. A gravidade do cenário foi intensificada pela baixa profundidade dos abalos e pelo fato de terem ocorrido em áreas densamente povoadas.
O epicentro do tremor mais forte localizou-se em El Guayabo, a 168 km de Caracas, enquanto o segundo sismo ocorreu em um intervalo de menos de um minuto, com diferença de apenas 5 quilômetros entre os epicentros. A cidade costeira de La Guaira, situada nos arredores da capital, foi severamente destruída por réplicas, resultando no fechamento do aeroporto internacional de Maiquetía.
O governo venezuelano reportou, em balanço provisório, 920 mortes, 3.360 feridos e 4 mil desabrigados, com quase 400 edifícios danificados ou totalmente derrubados. No entanto, estimativas do Serviço Geológico dos EUA sugerem que a fatalidade possa ultrapassar 10 mil pessoas. Paralelamente, o Escritório de Ajuda Humanitária da ONU projeta que o número de desaparecidos supere 50 mil.
A urgência no resgate é crítica, pois agências de assistência definem as primeiras 72 horas como o período vital para encontrar sobreviventes, prazo que pode ser ampliado apenas se as vítimas tiverem acesso a água e alimento. Apesar disso, moradores relataram a escassez de equipes estatais de resgate nas áreas mais afetadas na última sexta-feira (26).
Para tentar organizar a região de La Guaira, classificada como "zona de desastre", as autoridades bloquearam o acesso ao local, exigindo autorizações oficiais para a entrada de pessoas, sob a justificativa de que o trânsito e o caos prejudicavam as buscas. A presidente interina, Delcy Rodríguez, determinou ainda a militarização das áreas mais atingidas.
O esforço de socorro agora conta com a chegada de dezenas de equipes internacionais. O Brasil, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), enviou ajuda humanitária e equipes de busca na sexta-feira, com a previsão de instalação de um hospital de campanha neste sábado.
A instabilidade na região persiste. Na sexta-feira, Caracas registrou um novo tremor de magnitude 4,9. Embora menos intenso que os sismos iniciais, o abalo representa um risco adicional devido à fragilidade estrutural das construções já comprometidas pelos terremotos de quarta-feira.