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Vitórias no Peru e na Colômbia consolidam a guinada à direita na América Latina

30 de Junho de 2026 às 06:11

Keiko Fujimori e Abelardo de la Espriella venceram as eleições no Peru e na Colômbia, respectivamente. Os mandatários foram eleitos com pautas de combate ao narcotráfico e à violência. O cenário soma-se a outras lideranças de direita na Argentina, Bolívia e Panamá

Vitórias no Peru e na Colômbia consolidam a guinada à direita na América Latina
Samuel Corum/Sipa/Bloomberg/Getty Images via BBC

A América Latina consolida um movimento de guinada à direita, com a recente vitória de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia. O cenário reflete uma tendência regional iniciada nos anos 2000, que se intensificou na última década, resultando em um mapa político predominantemente conservador.

No Peru, Fujimori venceu a disputa contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez com uma vantagem de 49.641 votos, após três semanas de apuração. Diferente de outros líderes da região, ela pertence a uma família tradicional na política e venceu após três tentativas anteriores. Já na Colômbia, a vitória de De la Espriella marca a ascensão de um "outsider", empresário jovem sem experiência em cargos eletivos.

Ambos os mandatários foram eleitos com base em discursos rigorosos de combate à violência e ao narcotráfico, pautas que também foram centrais na eleição de José Antonio Kast no Chile. Esse foco na segurança pública é impulsionado por problemas estruturais de pobreza e desigualdade, além da incapacidade de governos de esquerda anteriores em resolver tais questões.

O panorama regional apresenta outras lideranças de direita, como Javier Milei, na Argentina — cujo foco principal foi a crise econômica e a ideologia —, Rodrigo Paz Pereira, na Bolívia, que encerrou a hegemonia socialista de Evo Morales, e José Raúl Mulino, no Panamá. Em contrapartida, o Uruguai mantém a estabilidade com Yamandú Orsi, de esquerda, e o México segue sob a liderança de Claudia Sheinbaum, também de esquerda, embora esta enfrente dificuldades de autonomia devido à forte interdependência econômica e migratória com os Estados Unidos.

A influência dos Estados Unidos é apontada como o denominador comum desse movimento. O país exerce pressão direta e indireta sobre a região para garantir alinhamentos favoráveis, visando recuperar a hegemonia perdida para a China e a União Europeia. Essa pressão manifesta-se inclusive em governos de direita, como no caso do Panamá, onde houve ameaças americanas sobre o controle do Canal.

A ascensão de líderes populistas e extremistas é atribuída à descrença na política tradicional, ao impacto das redes sociais e à busca por soluções imediatas para problemas complexos. Há a preocupação de que essa dinâmica, somada a uma cultura de "democracia delegativa" — onde o eleitor concede poderes quase absolutos ao eleito —, possa levar governos a migrarem gradualmente para o autoritarismo, como ocorreu na Venezuela.

No Brasil, a expectativa é que os Estados Unidos tensionem o processo eleitoral deste ano. Essa influência pode ocorrer por meio de tarifas comerciais, críticas ao sistema Pix, pressões sobre a regulamentação de Big Techs e a classificação de facções criminosas como terroristas. Para mitigar esses riscos, a diplomacia brasileira tem adotado uma postura pragmática, buscando integração funcional com vizinhos, independentemente de ideologias, para evitar o isolamento continental.

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