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Xi Jinping alterna entre a busca por estabilidade com Estados Unidos e parceria com a Rússia

24 de Maio de 2026 às 09:03

Xi Jinping buscou estabilidade estratégica com Donald Trump, resultando na compra de 200 jatos Boeing e US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos. Paralelamente, firmou mais de 40 acordos de cooperação com Vladimir Putin, consolidando a parceria entre Rússia e China em um mundo multipolar. Enquanto a Rússia apoiou a unificação de Taiwan, a China alertou os Estados Unidos sobre riscos de confronto direto devido à gestão da ilha

Xi Jinping alterna entre a busca por estabilidade com Estados Unidos e parceria com a Rússia
Evan Vucci / Pool / AFP

Encontros recentes em Pequim com os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia evidenciaram a dualidade da estratégia diplomática de Xi Jinping, que alternou entre a busca por estabilidade com Washington e o aprofundamento de alianças com Moscou. Embora as recepções na Praça Tiananmen tenham seguido protocolos cerimoniais semelhantes — com bandas militares, guardas de honra e a presença de crianças —, a natureza das agendas revelou abordagens distintas.

A relação com os Estados Unidos foi pautada pela tentativa de mitigar tensões e encerrar a guerra comercial entre as duas maiores economias globais. Durante a visita de três dias de Donald Trump, que realizou sua segunda viagem ao país como presidente, Xi Jinping priorizou a hospitalidade, conduzindo o americano por Zhongnanhai e pelo Templo do Céu. O objetivo central foi estabelecer uma "estabilidade estratégica", com o líder chinês defendendo que a China seja vista como parceira, e não como rival. Diferente do encontro com a Rússia, não houve a assinatura de declarações conjuntas ou acordos públicos imediatos. Apenas após a partida de Trump foi anunciado que a China comprará 200 jatos Boeing e produtos agrícolas americanos no valor anual de US$ 17 bilhões.

Em contraste, a visita de dois dias de Vladimir Putin, a 25ª do líder russo à China, focou na substância de uma parceria estratégica "sem limites". O encontro foi marcado por discussões técnicas no Grande Salão do Povo, onde foram firmados mais de 40 acordos de cooperação em tecnologia, comércio e mídia. A declaração conjunta assinada pelos dois presidentes definiu a Rússia e a China como centros de poder essenciais em um mundo multipolar, destacando o setor de petróleo e gás como o motor dessa relação. Apesar do volume de acordos, não houve a formalização do projeto do gasoduto Força da Sibéria 2, que levaria gás russo à China via Mongólia.

A divergência mais crítica entre as cúpulas manifestou-se na questão de Taiwan. Xi Jinping alertou Donald Trump que a gestão inadequada da relação dos EUA com a ilha poderia provocar um confronto direto, classificando o tema como o ponto mais sensível da relação bilateral. Embora Trump não tenha citado Taiwan publicamente em Pequim, sugeriu ao retornar aos Estados Unidos que a venda de armamentos para a ilha serviria como "moeda de troca" com a China.

Já com Putin, houve total convergência. A Rússia reiterou formalmente sua oposição a qualquer forma de independência de Taiwan e apoiou a unificação nacional chinesa. Além disso, Pequim e Moscou manifestaram preocupação conjunta com a remilitarização do Japão, refletindo as tensões regionais ligadas à soberania de Taiwan.

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