Política

Agência de publicidade de amigo de Flávio Bolsonaro possui quase 100 milhões em empenhos federais

21 de Maio de 2026 às 09:08

A agência Cálix Propaganda possui R$ 99,2 milhões em empenhos com o governo federal, referentes a contratos com os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Infraestrutura. A empresa recebeu R$ 39,7 milhões e tem R$ 59,6 milhões a receber, incluindo dívidas atuais e restos a pagar

Agência de publicidade de amigo de Flávio Bolsonaro possui quase 100 milhões em empenhos federais
Sérgio Lima/AFP

A agência de publicidade Cálix Propaganda possui empenhos que somam R$ 99.280.384,44 junto ao governo federal, com pagamentos previstos entre abril de 2022 e maio de 2026. Os dados, extraídos do Portal de Compras do Governo Federal, revelam que a empresa, fundada em 2003 e de propriedade do ex-policial Marcello Lopes, iniciou sua prestação de serviços à administração pública federal durante a gestão de Jair Bolsonaro, mantendo a execução dos contratos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O principal vínculo da agência foi estabelecido em dezembro de 2021 com o então Ministério do Desenvolvimento Regional, sob a gestão de Rogério Marinho. O acordo previa faturamentos anuais de até R$ 55 milhões. A pasta, que atualmente se chama Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, foi comandada por Marinho, atual líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência. Este contrato específico foi renovado por meio de três termos aditivos na gestão atual, estendendo a vigência dos serviços até abril de 2026.

Um segundo contrato foi firmado em maio de 2022, após licitação na pasta da Infraestrutura, na qual a Cálix foi a única participante. Na época, o ministério era chefiado por Tarcísio de Freitas. Devido a trâmites burocráticos do ano eleitoral, a assinatura ocorreu em abril de 2023. O acordo, que pode custar até R$ 14,97 milhões por ano, teve a vigência inicial definida para abril de 2025, mas passou por renovações sucessivas em 2023 e abril de 2026, prolongando o prazo até 2027.

Somados, os dois contratos geraram empenhos de R$ 91,8 milhões. A esse montante, acrescentam-se R$ 7,5 milhões em juros e multas decorrentes de atrasos nos pagamentos. Até o momento, a agência recebeu R$ 39,7 milhões, sendo R$ 22,6 milhões quitados no ano do faturamento e R$ 17 milhões via "restos a pagar" — recursos reservados no orçamento, mas liquidados em exercícios seguintes.

Atualmente, o governo federal possui uma dívida de R$ 32,9 milhões em notas faturadas para quitação este ano, além de R$ 26,7 milhões referentes a anos anteriores, também classificados como restos a pagar. O impacto dos atrasos já reflete em quatro notas de empenho que acumularam R$ 3,9 milhões em encargos adicionais.

Paralelamente aos negócios com a Esplanada, Marcello Lopes, conhecido como Marcellão e amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, anunciou nesta quarta-feira (20) sua saída da coordenação de comunicação da pré-campanha do senador à Presidência. A decisão ocorreu após diálogos entre ambos, com Lopes justificando que pretende concentrar seus esforços na gestão de sua empresa. Embora a atuação oficial estivesse prevista para 1º de junho, o publicitário já trabalhava nos bastidores da candidatura. O comando da comunicação será assumido por Eduardo Fischer.

Com informações de G1

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