Alexandre de Moraes proíbe Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes proibiu o senador Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão baseia-se em indícios de descumprimento de medida cautelar que veda o uso de redes sociais pelo ex-presidente
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu que o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, visite seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, tomada nesta segunda-feira (13), fundamenta-se em indícios de descumprimento de medida cautelar, já que o ex-presidente é proibido de utilizar redes sociais, seja de forma direta ou por meio de terceiros.
A restrição ocorreu após a divulgação de uma carta na qual Jair Bolsonaro reafirma o apoio à pré-candidatura do filho e solicita que aliados superem divergências antes das convenções partidárias.
Questionamentos sobre a decisão judicial
Em transmissão nas redes sociais, Flávio Bolsonaro acusou o ministro de tentar interferir no processo eleitoral para prejudicar sua candidatura. O senador argumentou que a decisão ignora a divulgação de quatro mensagens anteriores do pai, que não teriam sido contestadas por Moraes:
- 25 de dezembro de 2025: Confirmação da indicação de Flávio como pré-candidato à Presidência.
- 6 de fevereiro de 2026: Mensagem publicada por Michelle Bolsonaro em celebração ao aniversário de casamento do casal.
- 1 de março: Defesa da ex-primeira-dama contra críticas em redes sociais.
- 2 de março: Texto referente às eleições em Mato Grosso do Sul.
Flávio questionou a diferença entre a publicação do conteúdo em suas próprias redes, em canais de terceiros ou em veículos de comunicação, afirmando que a medida retira um dos poucos meios de contato do ex-presidente com seus apoiadores. Para o senador, a decisão seria um pretexto para a imposição de punições mais severas a Jair Bolsonaro.
Prerrogativas profissionais e comparações jurídicas
O senador comparou a situação atual com a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2018 e 2019, citando que o petista manteve articulação política e concedeu entrevistas, como as publicadas pela Folha de S.Paulo e El País em maio de 2019, após autorização do STF.
Flávio afirmou que existem pedidos de entrevista para Jair Bolsonaro pendentes de análise no STF, sem que a defesa fosse consultada por Moraes. Como integrante da defesa do pai, o senador informou ter acionado o Conselho Federal da OAB para defender suas prerrogativas profissionais, alegando que a proibição impede a comunicação entre advogado e cliente.
Críticas ao governo e cenário internacional
Durante a transmissão, o pré-candidato criticou a gestão de Lula nas negociações com os Estados Unidos sobre a possível imposição de tarifas a produtos brasileiros. Flávio alegou que o governo brasileiro estaria estimulando o agravamento da crise comercial com a gestão de Donald Trump.
O senador mencionou sua recente viagem aos Estados Unidos, onde participou de uma audiência pública sobre o "tarifaço" ao lado de Eduardo Bolsonaro. Na ocasião, defendeu que a aplicação de tarifas antes das eleições de outubro poderia beneficiar o atual governo, dado que o cenário político brasileiro mudaria em 90 dias.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar, após condenação pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.