Política

André Fernandes afirma que Michelle Bolsonaro tem liberdade para se opor à aliança com Ciro Gomes

25 de Junho de 2026 às 18:04

O deputado André Fernandes afirmou que Michelle Bolsonaro tem liberdade para se opor à aliança entre PL e PSDB no Ceará. A ex-primeira-dama rejeita o apoio a Ciro Gomes e a indicação de Alcides Fernandes ao Senado. A coalizão partidária foi oficializada em maio de 2026

O deputado federal André Fernandes (PL), presidente estadual da legenda no Ceará, afirmou que Michelle Bolsonaro tem liberdade para agir como desejar em relação à sua oposição à aliança entre o Partido Liberal e o PSDB de Ciro Gomes. Em declarações feitas na terça-feira (23), durante visita a Sobral, Fernandes reiterou que as decisões partidárias no estado já foram tomadas e que a palavra final sobre a condução política local cabe aos cearenses.

O conflito central envolve a resistência de Michelle Bolsonaro ao apoio do PL a Ciro Gomes para o Governo do Estado. A ex-primeira-dama argumenta que Ciro foi peça fundamental na inelegibilidade de Jair Bolsonaro, citando que o ex-ministro incentivou a utilização do termo "genocida" durante a pandemia e classificou o ex-presidente e seus filhos como corruptos e bandidos. Por esses motivos, Michelle defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo cearense, sugerindo que qualquer apoio a Ciro Gomes ocorresse apenas em um eventual segundo turno.

A tensão escalou após um comício em Fortaleza, no final de 2025, onde Michelle criticou a precipitação da articulação conduzida por André Fernandes. Embora o diretório nacional do PL tenha suspendido as negociações com o PSDB em dezembro de 2025 devido a essas críticas, a aliança foi oficializada em maio de 2026. O apoio a Ciro Gomes, que liderava as intenções de voto em pesquisa Quaest de abril (41% contra 32% de Elmano de Freitas e 4% de Eduardo Girão), incluiu a composição de uma chapa ao Senado com o ex-deputado Capitão Wagner (União) e o deputado estadual Alcides Fernandes (PL).

Paralelamente, Michelle Bolsonaro contesta a indicação de Alcides Fernandes, pai de André, para a vaga do Senado. Ela defende a candidatura da deputada federal Priscila Costa (PL), alegando que tal nome havia sido acordado diretamente com Jair Bolsonaro e que a substituição de Priscila por Alcides configura uma traição à determinação do ex-presidente.

O embate resultou em um conflito familiar e partidário. Michelle relatou ter sido humilhada por Flávio Bolsonaro em um telefonema após suas críticas a André Fernandes, ocasião em que o senador teria afirmado que ela não entendia de política e deveria se afastar das decisões do partido. Naquele momento, Eduardo Bolsonaro e outros filhos do ex-presidente apoiaram a posição de Flávio e André Fernandes, com Eduardo alegando que o deputado havia sido exposto injustamente. Em resposta, Michelle declarou respeitar a opinião dos enteados, mas manteve seu direito de discordar da aliança.

A aproximação entre André Fernandes e Ciro Gomes iniciou-se após as eleições municipais de 2024, quando o deputado disputou a prefeitura de Fortaleza, recebendo apoio de Roberto Cláudio (União), aliado de Ciro.

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