Política

Anvisa recomenda que consumidores não utilizem lotes específicos de produtos de limpeza da Ypê

11 de Maio de 2026 às 09:34

A Anvisa determinou o recolhimento de desinfetantes, sabões líquidos e detergentes da Ypê fabricados em Amparo, especificamente lotes com numeração final 1, por risco de contaminação microbiológica. A medida foi suspensa temporariamente após recurso da empresa, mas a agência e o CVS de São Paulo recomendam que os consumidores não utilizem os produtos

Anvisa recomenda que consumidores não utilizem lotes específicos de produtos de limpeza da Ypê
Ypê/Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de desinfetantes, sabões líquidos para roupas e detergentes lava-louças fabricados pela Ypê na unidade de Amparo, interior de São Paulo. A medida, instaurada na quinta-feira (7/5), abrange todos os lotes com numeração final 1, após a identificação de falhas produtivas e riscos de contaminação microbiológica. A determinação original previa a suspensão da distribuição, comercialização, fabricação e uso dos itens.

Embora a Anvisa tenha suspendido temporariamente os efeitos da medida devido a um recurso administrativo apresentado pela empresa, a agência mantém a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos dos lotes afetados. A autarquia reiterou que a avaliação técnica sobre o risco sanitário não foi revista e que a decisão definitiva sobre a manutenção ou revogação da suspensão será analisada em reunião nesta semana. Paralelamente, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo reforçou que o risco segue em análise e a orientação de evitar o uso dos lotes atingidos permanece válida. A Ypê informou que mantém paralisada parte da produção de líquidos para implementar as exigências do órgão regulador e declarou que a segurança dos consumidores é sua prioridade.

O episódio extrapolou a esfera sanitária e tornou-se alvo de disputas políticas nas redes sociais. Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro acusaram o governo de Luiz Inácio Lula da Silva de perseguir a companhia. O argumento baseia-se em registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que confirmam a doação de R$ 1 milhão feita por membros da família Beira, do grupo controlador da Química Amparo — detentora da marca Ypê —, para a campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022. Anteriormente, em 2022, a Química Amparo foi condenada pela Justiça do Trabalho por assédio eleitoral ao promover uma transmissão ao vivo interna em apoio ao ex-presidente, apesar de a empresa ter se declarado apartidária na ocasião.

A mobilização digital incluiu campanhas informais de apoio, com a publicação de vídeos de figuras públicas consumindo os produtos. O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, convocou seguidores a comprarem a marca, classificando a ação da Anvisa como "sacanagem" contra uma empresa brasileira. O senador Cleitinho criticou a atuação do órgão regulador, enquanto o deputado estadual Lucas Bove afirmou que a empresa sofre perseguição por ser bolsonarista. O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, criticou o "massacre" contra a companhia, embora tenha defendido a troca dos lotes afetados.

A repercussão envolveu ainda celebridades, como a cantora Jojo Todynho e o ator Júlio Rocha, que publicaram conteúdos utilizando os produtos. Nas redes, circularam memes e imagens associando a marca à direita política, com sugestões de que a empresa removesse a cor vermelha de seus itens em referência ao Partido dos Trabalhadores (PT), além de incentivos ao consumo dos produtos como forma de protesto político. A suspensão temporária da medida pela Anvisa alimentou narrativas divergentes: enquanto apoiadores da marca interpretaram o ato como prova de excesso ou motivação política, as autoridades sanitárias insistiram na vigência do alerta de risco até o julgamento final do recurso.

Com informações de G1

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