Política

Brasil projeta relação pragmática com o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella

28 de Junho de 2026 às 06:04

O governo brasileiro projeta manter a cooperação com Abelardo de la Espriella, novo presidente da Colômbia, em setores como energia, infraestrutura e combate ao crime organizado. A estratégia busca replicar a política de boa vizinhança adotada com governos de direita no Chile e na Bolívia

O governo brasileiro projeta uma relação pragmática com Abelardo de la Espriella, oficializado como novo presidente da Colômbia na última quinta-feira (25). Após a eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva congratulou a população colombiana, ressaltando a soberania do processo democrático e a importância do vínculo bilateral para enfrentar desafios compartilhados. Em resposta, Espriella manifestou a intenção de manter a cooperação com o Brasil.

A gestão brasileira trabalha com a perspectiva de que a interação entre as duas nações permaneça construtiva, independentemente de alinhamentos ideológicos. A expectativa é que a Colômbia mantenha o interesse em parcerias com o Brasil em setores estratégicos, como energia, infraestrutura, monitoramento e mitigação de desastres naturais, além do combate ao crime organizado. A estratégia de Brasília é replicar a política de boa vizinhança já adotada com governos de direita no Chile e na Bolívia, evitando posturas bélicas.

A vitória de Espriella, candidato de direita, consolida a ascensão de forças conservadoras e de extrema-direita na América do Sul, resultando em uma maioria de governos de direita no continente: dos 12 países, apenas cinco são liderados por gestões de esquerda ou centro-esquerda. O resultado, que derrotou o governista de esquerda Iván Cepeda, aliado de Gustavo Petro, deixa Lula como um dos poucos líderes de esquerda nas principais economias da região às vésperas de 2026.

Esse novo cenário político deve ampliar a influência dos Estados Unidos e intensificar a pressão sobre o Brasil no combate ao crime organizado. Até então, Brasil e Colômbia eram as únicas nações que não integravam o Escudo das Américas, coalizão militar contra cartéis de drogas liderada por Donald Trump e composta por cerca de metade dos países da América Latina e do Caribe, incluindo Argentina, Chile, Equador e El Salvador. A diplomacia brasileira prevê que a Colômbia se junte ao grupo assim que possível, enquanto o Brasil deve estreitar laços com Suriname, Guiana e México.

No âmbito institucional, a mudança de perfil político nos governos regionais tende a dificultar a articulação de fóruns como a Unasul e a Celac, defendidos por Lula. Em contrapartida, o Mercosul deve preservar sua relevância devido à consolidação de sua estrutura comercial, logística e de infraestrutura, o que torna o bloco menos vulnerável a trocas de governo. Observa-se que as gestões de direita sul-americanas propõem maior abertura econômica, divergindo do protecionismo adotado por setores conservadores nos Estados Unidos e Europa.

Paralelamente, os Estados Unidos buscam expandir sua presença militar e influência na região para conter o avanço da China e proteger seu comércio, com foco no combate ao narcotráfico e à imigração ilegal. Donald Trump propõe a retomada da Doutrina Monroe, de 1823, que visa proteger o continente contra potências externas. Contudo, diplomatas brasileiros avaliam que essa estratégia pauta uma agenda negativa, sem projetos concretos de integração para a direita. Interlocutores de Lula apontam que o governo americano não tem oferecido investimentos ou comércio à América Latina, intensificando, nos últimos meses, ofensivas comerciais e novas taxações, inclusive contra o Brasil.

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