Caiado propõe classificar facções criminosas que operam na Amazônia como organizações terroristas
Ronaldo Caiado propôs classificar facções criminosas na Amazônia como organizações terroristas. O plano prevê a ampliação da atuação das Forças Armadas, cooperação com países vizinhos e uso de tecnologia dos Estados Unidos
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O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), propôs a classificação de facções criminosas que operam na Amazônia como organizações terroristas. Durante debate realizado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo, ele afirmou que enviaria tal proposta ao Congresso Nacional logo no primeiro dia de mandato, caso seja eleito.
A medida é vista por Caiado como a única alternativa para retomar o controle territorial da região, fundamentando-se na ausência de efetivo de polícias militares para enfrentar grupos criminosos brasileiros e estrangeiros. O plano prevê a ampliação da atuação das Forças Armadas, integrando a Aeronáutica, a Marinha e o Exército Brasileiro, além da busca por cooperação internacional. O pré-candidato destacou a intenção de firmar parcerias com os Estados Unidos para o uso de satélites, imagens e tecnologias avançadas de combate ao crime organizado, justificando que a expansão dessas facções pode prejudicar as exportações do país.
Caiado também defendeu a criação de um modelo de cooperação policial com países vizinhos da América do Sul, inspirado no sistema europeu de livre trânsito, para monitorar os 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres e a costa marítima brasileira.
A proposta ocorre em um cenário de divergência diplomática. O governo brasileiro manifestou-se formalmente contra a intenção dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que a motivação dessas facções é o lucro financeiro, diferindo do terrorismo, que possui caráter político.
Apesar do posicionamento brasileiro, o governo americano sinalizou que a decisão é uma medida de segurança interna e não considerará a posição do Brasil. A classificação pelos EUA pode acarretar sanções financeiras e extradições, porém enfrenta obstáculos na legislação nacional, já que a Lei Antiterrorismo brasileira não inclui o crime organizado em seu escopo, gerando um descompasso nos protocolos entre as duas nações.