Câmara convoca chanceler Mauro Vieira para explicar possível uso de força militar dos EUA no Brasil
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a convocação do chanceler Mauro Vieira para explicar a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos no Brasil. A medida decorre de documento do Itamaraty sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos americanos
A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8), a convocação do chanceler Mauro Vieira. O ministro deverá prestar esclarecimentos sobre um documento enviado ao Legislativo que menciona a possibilidade de uso de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
A questão central reside em uma resposta do Itamaraty a um requerimento de informações do deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES). No texto, o chanceler confirmou que a determinação do Departamento de Estado dos EUA, ocorrida em junho, abre caminho para ações unilaterais e mais rigorosas por parte dos americanos. Essa medida foi tomada após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que contrariou as solicitações do governo federal brasileiro.
O deputado Evair Vieira de Melo questionou a natureza da resposta do ministro, argumentando que o documento apresentou considerações genéricas sobre a posição institucional do governo em vez de fornecer dados objetivos.
Durante a sessão, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) manifestou-se em defesa do governo e orientou contra a aprovação do pedido. Já o líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), criticou as declarações do chanceler, classificando-as como politiqueiras e questionando a veracidade das informações.
Houve uma tentativa do governo de converter a convocação em um convite, o que retiraria a obrigatoriedade do comparecimento, porém a proposta foi rejeitada pela oposição. Pela regra da Câmara, a ausência do ministro sem a devida justificativa configura crime de responsabilidade.
Paralelamente, o Senado Federal também acompanha o caso. Na terça-feira (7), a Comissão de Relações Exteriores daquela Casa aprovou um convite para ouvir o chanceler sobre o mesmo tema.