Campanha de Lula aposta na neutralidade de partidos do Centrão para a disputa presidencial
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva aposta na neutralidade de partidos do Centrão e na atração de eleitores independentes. Paralelamente, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro no PL enfrenta crises internas e conflitos com Michelle Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro segue em prisão domiciliar, com o PT pleiteando a revogação da medida ao STF
A estratégia da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) baseia-se agora na expectativa de que a maioria dos partidos do Centrão adote uma postura de neutralidade na disputa presidencial. Após diálogos com lideranças, a coordenação petista avalia que legendas como Progressistas, União Brasil e Republicanos não devem oferecer apoio formal ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, liberando a atuação de seus filiados nos estados. A expectativa de neutralidade se estende também ao MDB.
No caso do PSD, que possui candidatura própria com o ex-governador Ronaldo Caiado, a projeção é de que Lula receba apoios pontuais em unidades federativas, a exemplo da Bahia.
Mudança de tom e cenário eleitoral
Interlocutores da campanha presidencial sugerem que o atual momento exige que o presidente afaste a polarização e direcione seus esforços para atrair o eleitorado de centro e independente. A recomendação é que o governo aproveite a instabilidade interna na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para expandir sua base de apoio.
Crise interna no PL
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta desgastes decorrentes de um conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No final do mês passado, Michelle utilizou as redes sociais para afirmar ter sido humilhada e maltratada pelo senador. A movimentação foi interpretada como uma tentativa de se diferenciar dos filhos do ex-presidente, posicionando-se como alguém leal aos acordos do líder, especialmente após episódios em que Flávio e outros filhos defenderam a aproximação com Ciro Gomes no Ceará.
Embora o senador tenha pedido desculpas publicamente, alegando que não teve a intenção de ofendê-la, aliados admitem preocupação com a repercussão negativa entre o eleitorado evangélico e feminino, bases onde Michelle possui forte influência.
O conflito se intensificou quando a ex-primeira-dama compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre festas de Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro reagiu, afirmando que Michelle estava "completamente desinformada" ao insinuar a presença dele em tais eventos.
Impactos institucionais e partidários
Diante do impasse, Michelle Bolsonaro renunciou à presidência do PL Mulher, decisão acertada com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. O dirigente partidário confirmou que o senador e a ex-primeira-dama não se falam e defendeu a necessidade de encerrar as disputas internas em um prazo de 20 dias para definir o rumo da candidatura. Contudo, a cúpula do PL considera a reconciliação entre ambos impossível.
Situação jurídica de Jair Bolsonaro
Paralelamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em trama golpista em 2022, permanece em prisão domiciliar humanitária desde 24 de março de 2026, por determinação do ministro Alexandre de Moraes para tratamento de broncopneumonia. Em 3 de julho, a domiciliar foi prorrogada, mantendo-se o monitoramento eletrônico, a entrega de armas registradas e a proibição do uso de redes sociais.
Recentemente, Bolsonaro publicou uma carta — divulgada pelo filho — pedindo que divergências sejam superadas para derrotar Lula. O ato abriu brecha para que o PT solicite ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação da prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento de medidas cautelares. A defesa de Bolsonaro sustenta que a publicação foi uma decisão do senador Flávio, e não do ex-presidente.