Cerca de 60% dos brasileiros temem sofrer agressões físicas por suas escolhas políticas
Cerca de 99,4 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais temem agressões por motivações políticas, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice de receio caiu de 68% em 2022 para 60%, enquanto a violência efetiva atingiu 2,2% da população no último ano
Cerca de 60% dos brasileiros com 16 anos ou mais, o que corresponde a aproximadamente 99,4 milhões de pessoas, temem sofrer agressões físicas motivadas por suas escolhas partidárias ou políticas. O dado integra o levantamento "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança", divulgado no domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Embora o índice de receio seja expressivo, houve uma redução comparado a 2022, quando 68% dos entrevistados manifestavam a mesma preocupação, reflexo do cenário de polarização durante a campanha eleitoral daquele ano.
No último ano, a violência política efetiva atingiu 2,2% da população, totalizando cerca de 3,6 milhões de vítimas. O estudo revela disparidades conforme o perfil demográfico e socioeconômico. O medo de agressões é mais acentuado entre as mulheres, com 65,5%, enquanto entre os homens o índice é de 53,1%. Contudo, a vitimização real é maior no público masculino, com 2,9%, contra 1,5% entre as mulheres.
A desigualdade econômica também impacta a percepção de risco e a ocorrência de crimes. Nas classes D e E, 64,2% dos entrevistados temem a violência política, índice superior aos 54,9% registrados nas classes A e B. A incidência de agressões segue a mesma tendência, sendo de 3,5% nos grupos de menor renda e de 2,2% entre os mais ricos.
O relatório aponta a influência do crime organizado na limitação da expressão política. A presença de milícias ou facções criminosas nos bairros foi reconhecida por 41,2% dos brasileiros. Nessas localidades, 59,5% dos moradores evitam discutir política para fugir de represálias, e 61,4% afirmam que tais grupos exercem influência moderada ou forte sobre as regras de convivência e decisões locais. A taxa de vitimização por agressão política nessas áreas chega a 3,3%, superando a média nacional.
A pesquisa foi executada pelo Instituto Datafolha entre 9 e 10 de março de 2026, com uma amostra de 2.004 entrevistas em 137 municípios. O estudo possui margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.