Deputada Jack Rocha pede à PGR apuração sobre falas e propostas que questionam o voto feminino
A deputada Jack Rocha (PT-ES) solicitou à Procuradoria-Geral da República a apuração de falas de Paulo Figueiredo e de uma cartilha do Partido Missão. A representação questiona declarações sobre a capacidade de voto das mulheres e a sugestão de substituição do voto universal pelo modelo familiar
A coordenadora da bancada feminina na Câmara, Jack Rocha (PT-ES), formalizou junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de apuração sobre conteúdos e declarações que questionam o voto universal e a atuação de mulheres no processo eleitoral. A representação foca em duas frentes: a fala do empresário Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que afirmou que as mulheres "votam mal", e a análise de uma cartilha do Partido Missão, legenda que tem Renan Santos como pré-candidato à Presidência. Segundo a parlamentar, o documento do partido sugere a substituição do voto universal pelo modelo de "voto familiar".
A deputada argumenta que tais manifestações promovem a tutela patriarcal e a erosão da autonomia política feminina, gerando um cenário de hostilidade, deslegitimação e intimidação simbólica. Rocha destaca que as críticas atingem a maior parcela do eleitorado do país, composto por mais de 81 milhões de mulheres, o que representa cerca de 52% da população apta a votar.
No documento enviado à PGR, a parlamentar sustenta que as condutas podem caracterizar violência política de gênero, propaganda discriminatória e a violação de deveres constitucionais por parte dos partidos. Embora Flávio Bolsonaro tenha manifestado repúdio à declaração de Paulo Figueiredo, a representação solicita a abertura imediata de um procedimento na Procuradoria-Geral Eleitoral e o encaminhamento do caso ao Grupo de Trabalho de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero.
As medidas requeridas incluem a preservação de registros digitais em redes sociais, a solicitação de esclarecimentos ao Partido Missão e a notificação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que sejam reforçadas as campanhas institucionais de valorização da participação feminina. Jack Rocha também solicita que a Justiça Eleitoral adote providências contra propagandas discriminatórias em contextos eleitorais.