Deputado Mario Frias nega ao STF ter destinado emendas parlamentares para financiar filme sobre Bolsonaro
O deputado Mario Frias (PL-SP) negou ao STF ter destinado emendas parlamentares para o filme "Dark Horse". O parlamentar afirma que os R$ 2 milhões enviados ao Instituto Conhecer Brasil financiaram projetos sociais. A investigação, instaurada pelo ministro Flávio Dino, apura o uso de verbas de deputados do PL em ONGs ligadas à produtora da obra
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O deputado Mario Frias (PL-SP) negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter destinado emendas parlamentares para o financiamento do filme "Dark Horse", obra que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em manifestação apresentada nesta segunda-feira (25), o parlamentar classificou a acusação como difamatória e sem provas, solicitando o arquivamento da apuração.
A investigação foi instaurada em 15 de abril pelo ministro Flávio Dino para apurar a destinação de verbas de deputados do PL a organizações não governamentais ligadas à produtora do longa. O processo teve origem em um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que questionou o ecossistema de empresas gerido por Karina Ferreira da Gama, responsável pela produção da obra.
No centro da controvérsia, Frias é apontado como produtor executivo do filme e teria enviado R$ 2 milhões, via duas emendas, ao Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama. A defesa do deputado argumenta que os recursos foram destinados a projetos de empreendedorismo, letramento, inclusão digital e esportes para jovens e crianças em vulnerabilidade social, alegando que a finalidade é pública e constitucional.
Os advogados de Frias ressaltaram que a área técnica da Câmara dos Deputados não encontrou irregularidades na apresentação das emendas. Sustentam ainda que qualquer acusação de desvio é prematura, pois o prazo para a prestação de contas está em curso e não há apontamentos de irregularidades por parte do Tribunal de Contas da União (TCU), da Controladoria-Geral da União (CGU) ou do Conselho de Orientação Financeira (CONOF).
O imbróglio jurídico envolveu dificuldades na notificação do parlamentar. Após a determinação de Flávio Dino em 21 de março para que Frias se manifestasse em cinco dias, um oficial de Justiça realizou três tentativas frustradas de intimação no gabinete do deputado. Em 14 de abril, o STF registrou a ausência de sucesso nas diligências, o que levou o ministro a solicitar à Câmara os endereços de Frias em São Paulo e Brasília. Novas buscas realizadas na última semana também não haviam logrado êxito no contato.
Paralelamente, a produção de "Dark Horse" ganhou visibilidade após a revelação de que o financiamento teria sido viabilizado por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, atualmente preso em Brasília. O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro, que teria repassado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto antes de sua detenção.