Política

Dez governadores que buscam a reeleição utilizam a segurança pública como tema central em redes sociais

23 de Maio de 2026 às 09:02

Dez governadores que buscam a reeleição utilizam estratégias de comunicação digital focadas em entregas governamentais e segurança pública. A abordagem varia entre discursos de rigor, tons técnicos ou moderados, além do uso de vestimentas e elementos regionais para construir a imagem pública

Dez governadores que buscam a reeleição utilizam a segurança pública como tema central em redes sociais
Reprodução

Dez governadores que buscam a reeleição em outubro já implementaram estratégias de comunicação digital para fortalecer suas candidaturas. O foco das redes sociais, especialmente no Instagram, concentra-se na divulgação de entregas governamentais, pautas de segurança pública e a tentativa de maior proximidade com o eleitorado através de formatos como memes.

A análise de perfis de gestores de São Paulo, Santa Catarina, Sergipe, Pernambuco, Amapá, Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraíba revela que a segurança pública é o tema central para a maioria dos pré-candidatos, independentemente da sigla partidária. A abordagem "linha dura" predomina em quatro estados: São Paulo, com Tarcísio de Freitas (5,8 milhões de seguidores); Santa Catarina, com Jorginho Mello (796 mil); Ceará, com Elmano de Freitas (458 mil); e Amapá, com Clécio Luís (219 mil).

Nesses casos, a narrativa oscila entre a retórica de "lei e ordem", a estética de tolerância zero e o punitivismo. Em São Paulo, a comunicação é descrita como coercitiva, enquanto no Ceará prevalece a ostensividade e o foco em punição, apesar de tentativas de mencionar inteligência policial. Em Santa Catarina, a linha é punitivo-operacional. No Amapá, a estratégia inclui a exibição de equipamentos blindados, uso de coletes à prova de balas e a associação a figuras emblemáticas do combate ao crime, como o ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel.

Essa aposta no discurso rigoroso converge com dados da pesquisa Datafolha de março, que aponta a segurança como a principal preocupação de 19% dos entrevistados, patamar similar aos 21% que priorizam a saúde.

Em contrapartida, seis governadores adotam tons distintos. Rafael Fonteles (Piauí), Fábio Mitidieri (Sergipe) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) utilizam uma abordagem técnica. Fonteles foca em evidências e tecnologia, enquanto Mitidieri e Fonteles priorizam a valorização policial e a redução de índices criminais. Riedel enfatiza a gestão territorial e a eficiência, dada a condição de estado fronteiriço. Já Lucas Ribeiro (Paraíba), Raquel Lyra (Pernambuco) e Jerônimo Rodrigues (Bahia) mantêm um tom moderado. Na Bahia, a comunicação é preventiva e estrutural, refletindo a posição do estado como o segundo mais violento do país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024. Em Pernambuco, a segurança não é o eixo dominante, prevalecendo ações preventivas.

A construção da imagem pública também passa pelo código visual e vestimentas. Para transmitir acessibilidade e a imagem de "homem do povo", Jerônimo Rodrigues (BA) e Lucas Ribeiro (PB) optam por roupas simples e menos formais. Clécio Luís (AP) evita ternos e utiliza óculos que remetem à sua antiga profissão de professor.

Já a busca por maturidade e seriedade é a marca de Rafael Fonteles (PI), que mantém o uso de terno e gravata, e de Elmano de Freitas (CE), que prioriza roupas sociais. Tarcísio de Freitas (SP) mescla peças tradicionais e informais para equilibrar competência técnica e acessibilidade, enquanto Jorginho Mello (SC) utiliza cores sóbrias como cinza e azul marinho para projetar estabilidade e eficiência.

A estratégia de imagem também contempla elementos regionais e conservadores. Raquel Lyra (PE), que possui 1,7 milhão de seguidores e busca atingir a marca de 2 milhões para competir com o prefeito do Recife, João Campos (3 milhões), utiliza cores e estampas da bandeira de Pernambuco para gerar pertencimento. Eduardo Riedel (MS) projeta a imagem do homem do agronegócio com calçados típicos, enquanto Fábio Mitidieri (SE) utiliza símbolos religiosos, como terços e medalhas, além de tatuagens dos filhos para humanizar sua imagem.

No campo da performance digital, Raquel Lyra e Jerônimo Rodrigues são classificados como perfis "populares", embora a primeira projete a imagem de gestora "humana" e o segundo a de governador "amigo".

As assessorias de comunicação dos dez governadores foram consultadas sobre as análises, mas não enviaram manifestações.

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