Política

Eleitores divergem sobre a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro após revelação de diálogos

23 de Maio de 2026 às 06:05

Pesquisa Datafolha indica que 48% dos eleitores acreditam que o senador Flávio Bolsonaro deve desistir da disputa presidencial após a divulgação de diálogos com o banqueiro Daniel Vorcaro. O levantamento aponta que 64% dos entrevistados reprovam a busca de patrocínio para um filme sobre Jair Bolsonaro. No primeiro turno de 2026, Lula lidera com 40% contra 31% do senador

Eleitores divergem sobre a viabilidade da candidatura de Flávio Bolsonaro após revelação de diálogos
Reprodução/Evaristo SA/AFP

A percepção pública sobre a viabilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República divide-se após a divulgação de diálogos entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. De acordo com levantamento do Datafolha divulgado nesta sexta-feira (22), 48% dos eleitores consideram que o senador deve desistir da disputa e apoiar outro nome, enquanto 44% defendem a manutenção da candidatura. Outros 8% não souberam responder.

As mensagens, reveladas pelo site The Intercept Brasil, mostram Flávio Bolsonaro solicitando apoio financeiro de Vorcaro para a produção de um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Em um dos trechos, o senador assegura ao banqueiro a manutenção de sua parceria. O impacto dessas revelações reflete-se na visão dos entrevistados: 72% acreditam que existe uma relação próxima entre os dois, ao passo que 15% negam essa proximidade e 13% não opinaram.

Apesar da divisão geral, a base de apoio do senador demonstra forte fidelidade, com 88% de seus eleitores defendendo que ele siga na disputa presidencial. Apenas 10% desse grupo acreditam que ele deva abrir mão da candidatura, e 2% não souberam responder.

Sobre a conduta do senador, 64% dos participantes da pesquisa avaliaram que ele agiu mal ao buscar o patrocínio, enquanto 25% consideraram a atitude correta e 11% não souberam opinar. A avaliação ocorreu após os entrevistados serem informados da justificativa de Flávio Bolsonaro, que confirmou as conversas, mas negou a troca de vantagens, descrevendo a ação como a busca de um filho por patrocínio privado para um filme sobre a história do pai.

O levantamento também analisou a confiança dos eleitores. Antes da divulgação das mensagens, 38% dos entrevistados cogitavam votar no senador, enquanto 62% não pensavam nisso. Entre aqueles que consideravam Flávio Bolsonaro como opção, 67% afirmaram que a confiança não foi alterada, 18% relataram diminuição da confiança e 14% disseram que ela aumentou.

Quanto ao nível de informação sobre o caso, 30% dos entrevistados declararam estar bem informados e 28% disseram estar razoavelmente informados. Outros 36% afirmaram não ter conhecimento do episódio e 7% disseram estar mal informados.

Em um cenário onde Flávio Bolsonaro não fosse candidato, Michelle Bolsonaro (PL) surge como a principal alternativa de apoio, indicada por 39% dos respondentes. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 17% cada, seguidos por Eduardo Bolsonaro, com 10%. Outros 8% acreditam que o senador não deveria apoiar ninguém e 9% não souberam responder.

Paralelamente, o Datafolha indicou que, em um eventual segundo turno para 2026, o presidente Lula (PT) detém 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro, após um empate técnico de 45% no levantamento anterior. No primeiro turno, a vantagem de Lula sobre o senador ampliou de 3 para 9 pontos percentuais, com 40% contra 31%.

A pesquisa foi realizada entre 20 e 22 de maio, com 2.004 entrevistados. O estudo possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

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