Política

Estados Unidos classificam facções criminosas brasileiras como grupos terroristas

29 de Maio de 2026 às 15:10

O governo dos Estados Unidos classificou facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como grupos terroristas. A medida possibilita a atuação da CIA e do Pentágono, o bloqueio de ativos financeiros e a realização de operações militares em território brasileiro. A decisão foi condenada pelo presidente Lula

O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, classificou facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas. A medida altera a natureza do combate a essas organizações em território americano, deslocando a atuação de casos puramente policiais para a esfera de inteligência e militar, envolvendo órgãos como a CIA e o Pentágono.

A decisão ocorreu dois dias após uma reunião entre o presidente americano e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. O parlamentar afirmou que a iniciativa protege a população brasileira contra o "governo paralelo" das facções e oferece ferramentas para asfixiar o financiamento de grupos narcoterroristas, declarando ter contribuído mais para a segurança do país em uma viagem do que a gestão de Lula em 17 anos. No mesmo sentido, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, residente nos EUA, comparou a possibilidade de combate a essas organizações ao modo como Bin Laden foi perseguido pelos Estados Unidos.

No âmbito jurídico, a classificação torna crime federal nos EUA a prestação de qualquer apoio material às facções, abrangendo logística, consultoria, armas, treinamento e recursos financeiros. As autoridades americanas passam a dispor de instrumentos legais para investigar e punir integrantes desses grupos com maior celeridade. Quanto ao compartilhamento de dados, existe a possibilidade de as informações serem enviadas ao Brasil para auxiliar ações locais ou, inversamente, de serem classificadas como secretas ou ultrassecretas, o que restringiria a troca de inteligência.

As repercussões econômicas incluem o bloqueio automático de propriedades e ativos financeiros ligados às facções em solo americano ou sob controle de instituições dos EUA. O sistema bancário brasileiro e fintechs que movimentem recursos desses grupos correm o risco de serem proibidos de operar com bancos americanos. Além disso, a medida pode gerar insegurança jurídica, afastando capital estrangeiro e intensificando auditorias em setores como agronegócio, infraestrutura e combustíveis.

No campo da soberania, a designação abre brechas para que as Forças Armadas dos EUA realizem operações militares em território brasileiro sem a anuência do governo local, como o afundamento de navios ou abate de aviões, sob a justificativa de combate ao terrorismo. A medida é vista também como um possível instrumento de pressão geopolítica para alinhar a agenda de segurança brasileira aos interesses de Washington.

As restrições estendem-se à imigração, com a negação ou cancelamento de vistos e a possibilidade de prisão ou expulsão de pessoas com vínculos comprovados com as facções. Há, contudo, a preocupação de que brasileiros residentes em áreas dominadas pelo crime organizado enfrentem maior dificuldade na obtenção de vistos, mesmo sem possuírem ligação com os grupos.

O presidente Lula condenou a decisão, afirmando que o Brasil não aceita ser tratado como "moleque". O governo brasileiro criticou a articulação da família Bolsonaro nos Estados Unidos e manifestou preocupação com possíveis riscos ao sistema PIX decorrentes da classificação.

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