Política

EUA impõem tarifas a produtos brasileiros e classificam facções criminosas como organizações terroristas

04 de Junho de 2026 às 06:19

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. As medidas resultaram na ruptura diplomática entre os governos de Lula e Donald Trump. O governo americano justificou as ações com base em críticas ao Pix e a práticas comerciais do Brasil

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos sofreu uma ruptura após o governo de Donald Trump anunciar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. As medidas, que encerram um período de estabilidade entre os presidentes Lula e Trump, foram motivadas por críticas americanas ao Pix e a práticas comerciais brasileiras consideradas irrazoáveis por onerarem ou restringirem o comércio dos EUA.

A designação de facções criminosas como terroristas, ocorrida em 28 de maio, era uma pauta defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano, mas era rejeitada pela gestão Lula devido ao risco de intervenções militares americanas em território nacional. O cenário foi agravado por um esforço de lobby do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscou alinhamento com políticos pró-Trump na América Latina e se reuniu com o presidente americano na Casa Branca pouco antes dos anúncios.

O impacto institucional das medidas gerou um embate político interno. O presidente Lula acusou Flávio Bolsonaro de traição ao país por incentivar a política externa dos EUA, apelidando as novas taxas de "TariFlávio". Por outro lado, o senador foi colocado em posição defensiva, afirmando em vídeo ter solicitado a Trump que não aplicasse as novas tarifas.

Apesar de não ter declarado apoio aberto à campanha eleitoral de outubro, Trump sinalizou proximidade com o clã Bolsonaro ao publicar uma foto com Flávio, descrevendo-o como um jovem inteligente e patriota. Para o consultor político Thomas Traumann, a sequência de ações e declarações indica a intenção dos Estados Unidos de interferir no pleito brasileiro para prejudicar a reeleição de Lula.

Historicamente, o enfrentamento contra tarifas americanas já serviu como trunfo político para Lula, aumentando sua popularidade, movimento similar ao ocorrido com o líder canadense Mark Carney.

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