Política

EUA impõem tarifas sobre produtos brasileiros e classificam facções criminosas como organizações terroristas

04 de Junho de 2026 às 06:20

Os Estados Unidos impuseram tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. As medidas causaram a ruptura diplomática entre os governos de Lula e Donald Trump. O presidente brasileiro acusou o senador Flávio Bolsonaro de traição após reuniões do parlamentar com Trump

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos sofreu uma ruptura após o governo de Donald Trump anunciar a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. As medidas, divulgadas entre 28 de maio e a última terça-feira (2), encerram um período de estabilidade entre os presidentes Lula e Trump, que havia sido estabelecido após a aplicação de alíquotas comerciais no ano anterior.

A nova taxação americana é justificada por críticas ao Pix e a práticas governamentais brasileiras consideradas irrazoáveis por restringirem ou onerarem o comércio dos EUA. Paralelamente, a designação de facções criminosas como terroristas — pauta defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano — é rejeitada pela gestão Lula devido ao risco de intervenções militares estrangeiras em território nacional.

O cenário é marcado por movimentações políticas internas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios, em uma tentativa de alinhamento com lideranças pró-Trump na América Latina. Na terça-feira, Trump publicou uma foto com o senador, descrevendo-o como um jovem inteligente e patriota.

Em resposta, o presidente Lula acusou Flávio Bolsonaro de traição ao país por incentivar a política americana e apelidou as novas tarifas de "TariFlávio". Embora Flávio tenha publicado um vídeo afirmando ter solicitado a Trump a não imposição de novas taxas, o senador passou a atuar na defensiva diante da proposta tarifária.

A análise do contexto indica que, embora Trump não tenha declarado apoio aberto à campanha eleitoral de outubro, seus sinais são interpretados no Brasil como suporte a Bolsonaro. Além disso, as medidas e declarações sugerem um interesse dos Estados Unidos em interferir no pleito brasileiro para dificultar a reeleição de Lula. Historicamente, o enfrentamento de Lula a tarifas americanas anteriores resultou em aumento de sua popularidade, movimento similar ao observado na vitória eleitoral do líder canadense Mark Carney.

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