Política

Fernando Haddad afirma que privatização da Sabesp gerou prejuízo de até 4 bilhões de reais

17 de Junho de 2026 às 06:07

Fernando Haddad criticou a privatização da Sabesp em reunião com associações comerciais nesta terça-feira (16). O pré-candidato alegou prejuízos entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões devido a falhas no processo de desestatização. Tarcísio de Freitas defendeu a medida como forma de acelerar a universalização do saneamento

Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, classificou a privatização da Sabesp como um erro, afirmando que a companhia, anteriormente saudável, tornou-se um problema para o estado. Durante reunião com associações comerciais, representantes do Ciesp e da indústria de cerâmica e revestimento em Santa Gertrudes, nesta terça-feira (16), o ex-ministro da Fazenda defendeu a necessidade de reconhecer as falhas no processo de desestatização conduzido pela gestão de Tarcísio de Freitas.

Haddad sustenta que a operação foi marcada por falta de transparência e critérios opacos, alegando que a inclusão de cláusulas específicas afastou potenciais investidores e restringiu a disputa a um único concorrente. Segundo o pré-candidato, essa limitação resultou na venda do ativo por um valor inferior ao de mercado, gerando um prejuízo inicial estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. Ele detalhou que a segunda etapa da privatização, referente a 17% da companhia, teria ocasionado a perda de R$ 3,7 bilhões por ter sido realizada em ambiente fechado e direcionada.

Questionado sobre a possibilidade de reestatização da Sabesp, Haddad afirmou que a medida exige análise jurídica rigorosa, devido às cláusulas contratuais que geralmente impedem a revisão de vendas de patrimônio público. O petista também criticou a promessa de redução nas tarifas de água, alegando que o consumidor está financiando os investimentos e pagando duas vezes pela manutenção. Além da Sabesp, ele manifestou a intenção de revisar outros contratos da atual gestão, incluindo o aditamento da Linha 6-Laranja do metrô e o programa Muralha Paulista.

Em contrapartida, o governador Tarcísio de Freitas defende a privatização como ferramenta essencial para acelerar a universalização do saneamento e garantir a capacidade de investimento da empresa, antecipando as metas do Marco do Saneamento. O governador argumenta que a análise do processo deve ser baseada em resultados práticos e não em ideologias. Como exemplo, citou o município de Guarulhos, onde o tratamento de esgoto teria saltado de 2% em 2019 para 45% atualmente, com a meta de chegar a 78% até o encerramento deste ano.

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