Financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro envolve repasses de banqueiro acusado de corrupção nos EUA
A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é impactada por repasses de R$ 61 milhões feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse". O acordo total seria de US$ 24 milhões, mas Vorcaro é suspeito de corrupção e tráfico de influência. O parlamentar nega irregularidades
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A pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta instabilidades após a divulgação de que o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro em língua inglesa, envolveu repasses de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master. De acordo com reportagem do Financial Times publicada nesta segunda-feira (25/5), a obra tornou-se um ponto de vulnerabilidade política para o parlamentar, especialmente pelas suspeitas de corrupção que recaem sobre Vorcaro, apontado como responsável pelo colapso de um banco de US$ 10 bilhões e acusado de utilizar contatos em instituições de alto nível para promover interesses próprios por meio de tráfico de influência.
O montante total acordado entre o senador e o banqueiro seria de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões, conforme revelações do portal Intercept Brasil em 13 de maio. Entre fevereiro e maio de 2025, teriam sido liberados R$ 61 milhões. Mensagens divulgadas mostram Flávio Bolsonaro cobrando os pagamentos restantes e tratando Vorcaro com proximidade, chamando-o de "irmão" e declarando apoio constante, em comunicações enviadas inclusive na véspera da primeira prisão do banqueiro. O senador nega a prática de qualquer irregularidade.
O cenário coloca em dúvida a viabilidade eleitoral de Flávio Bolsonaro, indicado como sucessor político pelo pai. Jair Bolsonaro, que recebeu sentença de 27 anos em setembro por planejar um golpe para permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022, permanece como a liderança da direita brasileira, sendo a figura central nas decisões sobre a candidatura do filho.
Apesar dos questionamentos, aliados de Jair Bolsonaro e o ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, apostam no potencial de alcance da obra. Bannon afirmou ao Financial Times que pretende promover o filme nos Estados Unidos, fundamentando a expectativa de sucesso na popularidade do ator Jim Caviezel, intérprete do ex-presidente, junto ao movimento MAGA. Para Bannon, a presença de uma estrela de Hollywood amplia a visibilidade do projeto de forma superior a propagandas televisivas convencionais.
Enquanto lida com as repercussões do financiamento do filme, Flávio Bolsonaro tem viagem programada para Washington nesta semana, onde poderá se reunir com o presidente Donald Trump.