Flávio Bolsonaro admite ter pedido recursos a banqueiro preso para financiar filme sobre Jair Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro admitiu ter pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os repasses ocorreram entre fevereiro e maio de 2025 via fundo nos Estados Unidos. Vorcaro está preso sob acusação de chefiar fraudes financeiras de R$ 12 bilhões
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu, nesta quarta-feira (13), ter solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme "Dark Horses", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A confirmação ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios que revelam a interlocução entre ambos, contrariando a negativa anterior do parlamentar, que havia chamado as informações de mentira horas antes da admissão.
De acordo com relatórios, o aporte financeiro de Vorcaro para a produção teria atingido R$ 61 milhões, com repasses realizados entre fevereiro e maio de 2025 por meio de um fundo nos Estados Unidos vinculado a um aliado de Eduardo Bolsonaro. Em sua defesa, o senador classificou a transação como um patrocínio privado para uma obra privada, negando a obtenção de vantagens indevidas.
As interações privadas, ocorridas entre setembro e novembro de 2025, mostram Flávio Bolsonaro tratando o banqueiro como um aliado próximo. Em áudios, o senador expressou preocupação com as contas do filme, mencionando a necessidade de evitar inadimplências com o diretor Cyrus Nowrasteh e o ator Jim Caviezel. Além disso, o parlamentar ofereceu a intermediação de seu irmão, Eduardo, para encontrar Vorcaro em Dubai, caso houvesse necessidade. Na véspera da operação da Polícia Federal que resultou na prisão do banqueiro, Flávio enviou uma mensagem afirmando que estaria sempre ao lado de Vorcaro.
O reconhecimento do vínculo ocorre após um período em que o senador intensificou ataques públicos ao Banco Master, instituição de Vorcaro. Desde março, Flávio Bolsonaro utilizou suas redes sociais e entrevistas para negar qualquer ligação da direita com a instituição, chegando a questionar se o esquema seria "Master Lula ou Lula Master" e afirmando que o caso teria a "cara da esquerda".
O parlamentar defendeu a criação de uma CPMI para investigar o escândalo e solicitou a convocação de Fernando Haddad e Gabriel Galípolo para deporem sobre agendas com o banco. Em diversas ocasiões, inclusive em eventos públicos, Flávio associou o Banco Master ao governo Lula, classificando a situação como um escândalo de corrupção da atual gestão e alegando que as investigações não apontavam nomes da família Bolsonaro.
Paralelamente, o PT vinculou o caso ao governo anterior, argumentando que as irregularidades ocorreram durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central e citando doações de Fabiano Zettel, sócio e cunhado de Vorcaro, à campanha de Jair Bolsonaro. O presidente Lula, por sua vez, confirmou ter se reunido com Vorcaro em 2024, a pedido de Guido Mantega, mas assegurou que a conversa tratou apenas do caráter técnico das investigações sobre o banco, sem envolver interesses privados.
Daniel Vorcaro encontra-se preso em Brasília, sob a acusação da Polícia Federal de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode somar R$ 12 bilhões.