Política

Flávio Bolsonaro defende CPMI após áudios revelarem pedido de repasses milionários de banqueiro detido

14 de Maio de 2026 às 06:06

Áudios que vinculam o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, detido por fraudes de R$ 12 bilhões, impulsionaram a pressão por uma CPMI do Banco Master. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, não instalou o colegiado, apesar de um requerimento com 280 assinaturas. O STF negou pedido judicial para a abertura da investigação

A pressão pela instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o Banco Master ganhou novo fôlego no Congresso Nacional após a divulgação de áudios e mensagens que apontam a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro. No material, o parlamentar refere-se a Vorcaro como "irmão" e solicita repasses de R$ 134 milhões destinados ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira, encontra-se detido em Brasília. Ele é apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema de fraudes financeiras que pode totalizar R$ 12 bilhões. Diante das revelações, Flávio Bolsonaro defendeu a criação da comissão para distinguir inocentes de culpados e afastar as acusações de proximidade com o banqueiro.

Apesar do apoio de parlamentares de diferentes espectros políticos, a CPMI ainda não foi formalizada. O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), optou por não criar o colegiado na sessão conjunta ocorrida há duas semanas, ignorando o requerimento protocolado em fevereiro que já contava com 280 assinaturas — superando a exigência regimental de 27 senadores e 171 deputados.

A decisão de Alcolumbre ignora a automaticidade da instalação de comissões quando há assinaturas suficientes, regra que já foi aplicada anteriormente, como no caso da CPMI do INSS. Parlamentares governistas sugeriram que a não instalação do colegiado resultou de um acordo com a oposição para a derrubada de vetos ao projeto da dosimetria, medida que poderia reduzir penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.

O impasse já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) em março, quando deputados e senadores tentaram garantir a abertura da investigação via judicial, mas a Corte negou o pedido, sob o argumento de que a competência para a instalação pertence exclusivamente ao Congresso Nacional.

A movimentação recente reacendeu as cobranças no Legislativo. A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) questionou a discricionariedade do presidente do Congresso sobre a instalação da comissão, enquanto o deputado Helder Salomão (PT-ES) mencionou a existência de um acordo político para inviabilizar a investigação. Pela oposição, o líder Cabo Gilberto Silva (PL-PB) afirmou que seu grupo defende a CPMI desde o início e que as assinaturas necessárias foram coletadas prioritariamente por esse bloco.

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