Política

Flávio Bolsonaro negociou com banqueiro preso o financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

13 de Maio de 2026 às 18:02

O senador Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. Mensagens e áudios revelam cobranças do parlamentar por pagamentos pendentes da produção. Vorcaro foi detido pela Polícia Federal em novembro do ano passado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve negociações diretas com o banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro. De acordo com mensagens e um áudio revelados nesta quarta-feira (13), o parlamentar pressionava o empresário pelo pagamento de valores pendentes relativos à produção.

Em áudio enviado no dia 8 de setembro do ano passado, Flávio Bolsonaro mencionou estar ciente de que Vorcaro enfrentava um período crítico, ocorrido poucos dias após o Banco Central rejeitar, em 3 de setembro, a compra do Master pelo BRB. Na ocasião, o senador afirmou sentir-se constrangido ao realizar a cobrança, mas solicitou a posição do banqueiro sobre os repasses.

A interação entre ambos foi frequente e envolveu o uso de ligações telefônicas e mensagens com visualização única. No dia 22 de outubro, o senador alertou que a situação financeira do projeto estava "no limite" e convidou Vorcaro para um jantar com o ator Jim Caviezel, intérprete de Bolsonaro na obra. O encontro foi acordado para ocorrer na residência do banqueiro.

A sequência de contatos culminou em 16 de novembro, quando Flávio Bolsonaro reagiu com a palavra "Amém" a uma mensagem de visualização única enviada por Vorcaro. No dia seguinte, o banqueiro foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos. A prisão integra investigações sobre uma rede que envolve corrupção de servidores públicos, fraudes e a utilização de milícia privada para a intimidação de opositores.

Questionado por jornalistas ao deixar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o assunto, o senador Flávio Bolsonaro limitou-se a declarar que os recursos envolvidos eram de natureza privada. A existência do áudio e o teor das informações foram confirmados por investigadores e pessoas com acesso aos dados.

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