Política

Flávio Bolsonaro pede a Donald Trump que classifique PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

27 de Maio de 2026 às 06:09

O senador Flávio Bolsonaro reuniu-se com Donald Trump em Washington, onde solicitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A pauta incluiu a liberdade de expressão nas redes sociais, tarifas, terras raras e a possível adesão do Brasil ao Escudo das Américas

Em visita aos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com o presidente Donald Trump nesta terça-feira (26), em Washington. Durante o encontro, o parlamentar solicitou que as facções criminosas Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas, proposta que Trump afirmou que irá analisar. A medida é contrária à posição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que vê na classificação a possibilidade de abertura para intervenções norte-americanas em território brasileiro.

A agenda, articulada por Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo republicano, incluiu discussões sobre a garantia da liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil, além de pautas sobre tarifas e terras raras. Flávio Bolsonaro comprometeu-se a incluir o Brasil no Escudo das Américas caso seja eleito presidente, coalizão liderada pelos EUA para combater interferências estrangeiras e o crime organizado na América Latina.

Embora o senador tenha declarado que a comitiva permaneceu cerca de uma hora e meia na Casa Branca, relatos divergentes indicam que a reunião foi breve. De acordo com essas fontes, a comitiva — composta por Flávio, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo — entregou documentos a assessores e entrou no Salão Oval apenas para a fotografia oficial, momento em que Trump não teria se levantado para recebê-los.

Em entrevista concedida após a reunião, Flávio Bolsonaro atribuiu erroneamente o convite para a visita ao presidente Lula, corrigindo a fala segundos depois para creditar o convite a Donald Trump. Na ocasião, o senador também mencionou que o presidente americano perguntou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e lhe entregou uma "challenge coin", moeda comemorativa de cunho militar.

A viagem ocorre em um momento de retração nas intenções de voto do senador, impactadas por sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Dados da pesquisa Datafolha mostram que, em simulações de primeiro turno, Flávio Bolsonaro caiu de 35% para 31%, enquanto o presidente Lula subiu de 38% para 40%, ampliando a diferença de três para nove pontos percentuais. No cenário de segundo turno, a vantagem de Lula passou a ser de quatro pontos, com 47% contra 43% do senador, que anteriormente aparecia empatado com o petista em 45%.

Notícias Relacionadas