Política

Flávio Bolsonaro pede a Marco Rubio que os Estados Unidos não apliquem novas tarifas ao Brasil

02 de Junho de 2026 às 18:07

O senador Flávio Bolsonaro solicitou ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a não aplicação de tarifas comerciais de 25% ao Brasil. O parlamentar justificou o pedido citando a deterioração fiscal brasileira e a dívida bruta do governo. No ofício, ele também agradeceu a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas americana

Flávio Bolsonaro pede a Marco Rubio que os Estados Unidos não apliquem novas tarifas ao Brasil
Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicitou formalmente ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que o governo americano não aplique novas tarifas comerciais ao Brasil. O pedido, encaminhado via ofício nesta terça-feira (2), ocorre após os Estados Unidos concluírem uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e proporem a implementação de uma tarifa de 25%.

No documento redigido em inglês, o parlamentar argumenta que a economia brasileira atravessa um período de grave deterioração fiscal. Flávio Bolsonaro destaca que a dívida bruta do governo geral ultrapassou 80% do PIB, atingindo R$ 10,4 trilhões em abril, com projeções de chegar a 83,7% até o final do ano. O texto aponta ainda que o país registra déficit primário e níveis recordes de pagamentos de juros da dívida, além de um cenário crítico de inadimplência, que afeta 81,7 milhões de cidadãos e 8,7 milhões de contribuintes empresariais no início de 2026. O senador menciona também que o número de recuperações judiciais de empresas atingiu a marca de 2.466 em 2025.

A movimentação é interpretada nos bastidores como uma tentativa de evitar desgastes políticos para a campanha presidencial do senador. Existe a preocupação de que novas sanções econômicas possam repetir os impactos negativos de medidas anteriores adotadas por Washington contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, como a aplicação da Lei Magnitsky.

Além da pauta comercial, o senador utilizou o ofício para agradecer a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. A medida, defendida por aliados de Jair Bolsonaro, vinha gerando repercussão positiva nas redes sociais, embora houvesse dúvidas sobre a capacidade de converter esse ganho em vantagem eleitoral. A estratégia de Flávio Bolsonaro visa impedir que eventuais tarifas econômicas ofusquem o capital político obtido com a pauta da segurança pública.

No documento, o senador afirma estar confiante em sua eleição para a Presidência em outubro e propõe a disponibilização imediata de sua equipe de transição para a formalização de um acordo de comércio e investimentos entre as duas nações. A iniciativa levanta questionamentos internos sobre a possibilidade de a atuação de parlamentares brasileiros junto ao governo americano configurar interferência externa em temas domésticos.

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