Política

Governo brasileiro analisa impactos da classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos

30 de Maio de 2026 às 08:14

O governo brasileiro reuniu ministros em Brasília para analisar os impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A Presidência determinou levantamentos sobre reflexos financeiros, cooperações internacionais e segurança pública. O presidente Lula defendeu a soberania nacional e criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro no processo

O governo brasileiro mobilizou ministros e auxiliares em Brasília nesta sexta-feira (29) para analisar as consequências da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. O anúncio foi feito na quinta-feira (28) pelo Departamento de Estado americano, sob a gestão de Marco Rubio.

A medida ocorreu após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Rubio e com o presidente Donald Trump na Casa Branca, em encontros realizados na terça-feira (26).

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a informação enquanto cumpria agenda no Palácio do Planalto com o ministro José Guimarães e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB). Imediatamente após ser notificado, o presidente consultou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, manifestou-se na sequência, afirmando que a segurança é um tema nacional e que qualquer pretexto para intervenção estrangeira é inaceitável.

Como primeira ação, a Presidência determinou que os ministérios realizassem um levantamento sobre os reflexos financeiros e os impactos nas cooperações internacionais de combate ao crime organizado. No âmbito econômico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, buscou suporte de representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para a avaliação dos danos.

Já nesta sexta-feira, enquanto o presidente cumpria agenda em Sergipe, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, convocou uma reunião de trabalho para o horário do almoço. Participaram do encontro os ministros Mauro Vieira e Dario Durigan, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Chico Lucas, e Audo Faleiro, da Assessoria Especial da Presidência. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, antecipou seu retorno de viagem do Paraguai para integrar as discussões. Durante a reunião, foram analisados os efeitos da decisão americana sobre o turismo, o mercado financeiro e a segurança pública, além de um levantamento de todas as parcerias vigentes entre Brasil e Estados Unidos.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto reiterou as estratégias de combate ao crime organizado e classificou como deplorável a atuação de membros da família Bolsonaro nos Estados Unidos, citando a defesa de intervenções estrangeiras, a exemplo do ocorrido com o tarifaço.

Em discurso em Sergipe, o presidente Lula afirmou que o combate ao crime organizado será conduzido internamente e defendeu a soberania brasileira, rejeitando que o país seja tratado como uma "republiqueta" ou como "moleques". Lula acusou o senador Flávio Bolsonaro de trair a pátria ao solicitar ao governo norte-americano a classificação das facções criminosas como terroristas, caracterizando a atitude como um pedido de intervenção estrangeira em questões de segurança pública nacional.

Com informações de G1

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