Política

Governo de Donald Trump classifica facções criminosas brasileiras como grupos terroristas

30 de Maio de 2026 às 08:14

O governo de Donald Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas, permitindo a atuação da CIA e do Pentágono e o bloqueio de ativos. A medida, defendida por Flávio Bolsonaro e condenada por Lula, possibilita operações militares dos EUA no Brasil e restrições a instituições financeiras

A classificação de facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como grupos terroristas pelo governo de Donald Trump altera a natureza jurídica e operacional do combate a essas organizações nos Estados Unidos. A medida desloca a repressão do âmbito policial para a esfera de inteligência e militar, permitindo a atuação de órgãos como a CIA e o Pentágono, além de agilizar instrumentos de investigação e punição contra integrantes desses grupos.

A decisão ocorre dois dias após uma reunião entre o presidente americano e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência. O parlamentar defendeu a medida como uma forma de asfixiar financeiramente as organizações "narcoterroristas" e proteger a população contra o que chamou de "governo paralelo". Na mesma linha, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, residente nos EUA, afirmou que a nova classificação possibilita que o PCC e o CV sejam combatidos nos moldos em que foi enfrentado Bin Laden.

Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou a ação, classificando-a como uma afronta à soberania nacional e afirmando que o Brasil não aceita ser tratado como "moleque". O governo brasileiro manifestou rejeição a interferências externas, enquanto o porta-voz de Donald Trump rebateu, declarando que o presidente do Brasil é uma escolha dos brasileiros. Lula também criticou a atuação de Flávio Bolsonaro, acusando-o de trair a pátria ao solicitar a intervenção estrangeira.

No campo econômico e financeiro, a medida implica o bloqueio automático de propriedades e ativos ligados às facções em território americano ou sob controle de instituições dos EUA. A decisão gera alertas sobre o sistema bancário, já que bancos e fintechs brasileiras que movimentem recursos desses grupos podem ser impedidos de operar com o sistema financeiro dos Estados Unidos, o que leva o governo brasileiro a apontar riscos ao funcionamento do PIX. Além disso, a insegurança jurídica pode desencadear a saída de capital estrangeiro e endurecer auditorias em setores como agronegócio, infraestrutura e combustíveis.

Do ponto de vista da segurança e soberania, a classificação cria uma brecha jurídica para que as Forças Armadas dos EUA realizem operações militares no Brasil sem a anuência do governo local, incluindo o abate de aeronaves ou afundamento de navios sob a justificativa de combate ao terrorismo. A medida também pode servir como ferramenta de pressão geopolítica para alinhar a agenda de segurança brasileira aos interesses americanos.

Quanto ao compartilhamento de dados, as autoridades dos EUA podem colaborar com as investigações locais ou, alternativamente, classificar informações como "secretas" ou "ultrassecretas", restringindo a troca de dados com o Brasil. Juridicamente, qualquer apoio material — seja financeiro, logístico, de treinamento ou consultoria — às facções passa a ser crime federal nos Estados Unidos.

No âmbito civil e migratório, a decisão facilita a negação ou cancelamento de vistos, bem como a prisão e deportação de pessoas com vínculos comprovados com as organizações. Existe, contudo, a preocupação de que brasileiros residentes em áreas dominadas pelo crime organizado enfrentem maiores dificuldades na obtenção de vistos, mesmo sem possuírem ligação com as facções.

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