Política

Governo federal atribui atraso em medidas contra o crime organizado a boicote de governadores

12 de Maio de 2026 às 12:27

O governo federal afirma que governadores de oposição e o presidente do Senado travam a PEC da Segurança Pública e o Projeto de Lei Antifacção. A medida é vista como essencial para coordenar o combate financeiro ao crime organizado entre União e estados. Aliados do presidente admitem que divergências internas no governo também atrasaram a estratégia

O governo federal atribui a demora na implementação de medidas contra o crime organizado a um boicote de governadores de oposição, que teriam travado a tramitação da PEC da Segurança Pública e do Projeto de Lei Antifacção. De acordo com assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a União pretendia montar ações integradas com as unidades federativas desde o ano passado, mas a articulação de gestores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina no Congresso teria impedido o avanço da proposta.

Atualmente, a PEC da Segurança Pública encontra-se no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Interlocutores do Planalto afirmam que Alcolumbre atua em sintonia com a oposição, evitando pautar a medida para não gerar fortalecimento político do presidente durante o período eleitoral. Para a equipe de Lula, a aprovação dessa PEC é a condição necessária para que ações coordenadas de asfixia financeira de organizações criminosas se tornem uma prática regular.

A gestão federal argumenta que iniciativas isoladas, como as conduzidas pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, contra o Comando Vermelho, são relevantes, porém insuficientes para solucionar a insegurança ou retomar territórios dominados. A solução, na visão de auxiliares da Presidência, depende obrigatoriamente do trabalho conjunto entre União e estados.

Apesar da narrativa oficial, aliados do presidente reconhecem que a responsabilidade pelos atrasos não é exclusiva dos governadores. Divisões internas no próprio governo contribuíram para a lentidão no lançamento de programas de combate ao crime. Uma ala do governo era contrária à participação federal em ações de segurança pública e, embora tenha sido vencida por assessores que defendiam a atuação da União, a definição dessa estratégia ocorreu tardiamente.

Com informações de G1

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