Governo Lula afirma que Flávio Bolsonaro priorizou interesses eleitorais em audiência nos Estados Unidos
O governo federal afirma que a atuação do senador Flávio Bolsonaro em audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos teve fins político-eleitorais. A gestão critica a solicitação do parlamentar para adiar tarifas comerciais em vez de pleitear o fim da medida. A decisão final sobre as taxas deve ocorrer até 15 de julho
O governo Lula avalia que a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em audiência no Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve caráter estritamente político-eleitoral. Para a gestão federal, a postura do pré-candidato à presidência frustrou empresários que esperavam uma defesa efetiva do Brasil para evitar a aplicação de novas tarifas comerciais.
A aplicação de taxas pelos Estados Unidos decorre de uma investigação baseada na "Seção 301" da Lei de Comércio de 1974, que permite medidas comerciais contra práticas consideradas injustas. O processo do USTR apura questões brasileiras relacionadas ao desmatamento, etanol, propriedade intelectual, corrupção, tarifas e comércio digital, especificamente o PIX.
Assessores da Presidência afirmam que o senador priorizou ataques ao governo em vez de amparar o setor produtivo nacional. O grupo destaca, ainda, que Flávio Bolsonaro utilizou a menção ao Banco Master para atingir a gestão atual, omitindo sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro.
No plano institucional, o ministro chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a conduta do parlamentar como "diplomacia clandestina da pior qualidade". O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o senador ofereceu a pátria de bandeja ao solicitar que os Estados Unidos adiassem a imposição das tarifas para depois do pleito eleitoral, em vez de pleitear o fim do tarifaço.
O vice-líder do governo, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), argumentou que o senador tentou apagar rastros de manifestações anteriores, quando teria comemorado e agradecido a Donald Trump pela aplicação de taxas contra o Brasil.
A campanha de Lula pretende utilizar esses episódios para sustentar a tese de que o filho do ex-presidente busca subordinar os interesses brasileiros aos dos Estados Unidos.
Em contrapartida, a equipe de Flávio Bolsonaro sustenta que o senador seguiu um roteiro estratégico de campanha. A narrativa do parlamentar atribui ao governo Lula a responsabilidade pelas ameaças de tarifas feitas por Donald Trump. O senador permanecerá nos Estados Unidos por mais alguns dias para tentar evitar a medida, cuja decisão final deve ocorrer até 15 de julho.