Política

Haddad afirma que redução da presença do Estado na segurança pública pode gerar milícias em São Paulo

09 de Julho de 2026 às 06:09

Fernando Haddad, pré-candidato ao governo de São Paulo, afirmou que a baixa presença estatal na segurança pública pode favorecer milícias no interior. A Secretaria de Segurança Pública negou a tese e informou a queda de 34% nos roubos de carga nos cinco primeiros meses de 2026

Haddad afirma que redução da presença do Estado na segurança pública pode gerar milícias em São Paulo
Reprodução

Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, afirmou que a redução da presença do poder público na segurança pública gera o risco de surgimento de milícias no interior do estado. Em entrevista ao "Canal do Barão", no Youtube, o ex-ministro da Fazenda argumentou que a ausência do Estado abre espaço para empresas de segurança privada, criando um cenário semelhante ao ocorrido no Rio de Janeiro.

Haddad fundamentou sua análise em uma suposta queda nos investimentos estaduais, citando dificuldades fiscais de São Paulo. Segundo ele, o caixa do estado permanece baixo mesmo após a privatização da Sabesp, sofrendo ainda os impactos de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista associou a insegurança ao aumento nos custos do transporte de mercadorias, defendendo a ampliação da atuação estatal na área.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) refutou as declarações, assegurando que as forças de segurança operam de forma técnica e integrada, com foco em inteligência e policiamento ostensivo. A pasta destacou que, nos cinco primeiros meses de 2026, os roubos de carga recuaram 34% em comparação ao ano anterior, atingindo o menor patamar da série histórica para o período, com reduções de 46% no interior e 31% na capital e região metropolitana.

A SSP informou ainda que, desde janeiro de 2023, foram apreendidas 752 toneladas de drogas, resultando em um prejuízo de R$ 3,4 bilhões ao crime organizado, além da prisão de 701,4 mil infratores e a apreensão de 45,2 mil armas. O governo estadual investiu mais de R$ 1,7 bilhão no combate a organizações criminosas, incluindo a criação do Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro e a implementação do Programa de Prevenção de Furtos e Roubos de Carga (Procarga) e do Muralha Paulista.

No campo da gestão, Haddad criticou a condução da SSP pelo ex-secretário Guilherme Derrite, que deixou o cargo em 2025. O pré-candidato alegou que a nomeação de pessoas próximas para cargos de comando desrespeitou a estrutura policial e enfraqueceu a cadeia hierárquica. Como alternativa, defendeu a PEC da Segurança Pública do governo federal e propôs a integração de dados entre polícias de diferentes estados, além de priorizar a segurança pública em sua agenda de governo.

As declarações ocorreram no dia em que a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) realizou operação contra um grupo especializado em roubo de carne bovina em São Paulo e no Paraná. A ação resultou na prisão de nove pessoas e no cumprimento de 20 mandados entre prisão e busca e apreensão.

No cenário eleitoral, pesquisa Datafolha divulgada no domingo (5) indica que Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera a disputa com 46% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Fernando Haddad com 30%. Em um eventual segundo turno, Tarcísio teria 53% contra 37% de Haddad. O levantamento, que ouviu 1.608 pessoas, aponta que a rejeição a Haddad é de 47%, enquanto a de Tarcísio é de 29%.

Haddad manifestou disposição para negociar alianças com outros partidos de esquerda. O levantamento do Datafolha mostra que Vera Lúcia (PSTU), Carlos Machado (PCB) e Vivian Mendes (Unidade Popular) detêm 5%, 4% e 4% dos votos, respectivamente. Com a desistência de Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), que somavam cerca de 10% nas pesquisas de março, a disputa pode ser decidida já no primeiro turno, com Tarcísio detendo 52% dos votos válidos e Haddad 34%.

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