Política

Haddad critica falas de Tarcísio de Freitas sobre Marina Silva e Simone Tebet

11 de Julho de 2026 às 06:04

Fernando Haddad criticou declarações de Tarcísio de Freitas sobre as pré-candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet. O governador afirmou que ambas não iniciaram a trajetória política em São Paulo e teriam sido rejeitadas em seus estados de origem

Haddad critica falas de Tarcísio de Freitas sobre Marina Silva e Simone Tebet
Reprodução/TV Globo

Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, criticou declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) direcionadas às pré-candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Em conversa com jornalistas na capital paulista, antes de participar de um podcast, Haddad classificou as falas do adversário como uma agressão gratuita contra as duas ex-senadoras, manifestando perplexidade com a postura do governador e defendendo que o embate político ocorra no campo das ideias.

A reação de Haddad sucede falas de Tarcísio, proferidas em evento com o deputado federal Guilherme Derrite (PP), nas quais o governador afirmou que Marina Silva e Simone Tebet não iniciaram suas trajetórias políticas em São Paulo e que teriam recebido "cartão vermelho" nos estados onde atuaram anteriormente.

As pré-candidatas também se manifestaram. Marina Silva destacou a característica acolhedora de São Paulo, mencionando ter sido atendida no Hospital das Clínicas em um momento de fragilidade na juventude. Simone Tebet ressaltou que paga impostos no estado há dez anos e rebateu a menção ao Rio de Janeiro, afirmando ser "cortiniana" e não torcedora do Flamengo.

Atualmente, Marina Silva é deputada federal por São Paulo desde 2022, sendo natural do Acre. Simone Tebet, nascida em Mato Grosso do Sul, concorre a um cargo eletivo no estado paulista pela primeira vez. Ambas lideram as pesquisas de intenção de voto para o Senado, superando os nomes apoiados por Tarcísio.

O questionamento sobre a origem dos candidatos não encontra amparo na legislação brasileira. A Constituição Federal e a Lei Eleitoral não exigem que o político tenha construído sua carreira no estado onde disputa a eleição, exigindo apenas a nacionalidade brasileira, o pleno exercício dos direitos políticos, o alistamento eleitoral, a filiação partidária no prazo legal, a idade mínima para o cargo e o domicílio eleitoral na circunscrição pelo menos seis meses antes do pleito.

O próprio governador Tarcísio de Freitas, carioca e residente de Brasília durante a adolescência, mudou seu domicílio eleitoral para São José dos Campos em 2022 para concorrer ao governo do estado. No campo dos aliados do governador, Eduardo Bolsonaro também é exemplo, tendo sido um dos parlamentares mais votados por São Paulo em 2018 e 2022, apesar de a família ter consolidado a carreira política no Rio de Janeiro. Carlos Bolsonaro, que foi vereador no Rio, renunciou ao cargo em dezembro do ano passado para residir em Santa Catarina e disputar o Senado. Outro caso é o da deputada Rosângela Wolff Moro, natural de Curitiba, que transferiu seu domicílio para São Paulo e foi eleita em 2022, após o arquivamento de uma ação judicial movida pelo PT. Na mesma ocasião, Sérgio Moro tentou a mudança para São Paulo, mas teve o pedido negado pelo TRE-SP, sendo atualmente pré-candidato ao governo do Paraná.

A história política de São Paulo registra diversos outros nomes que não nasceram no estado ou na capital. O palhaço Tiririca, cearense, foi um dos deputados federais mais votados do país por duas eleições. A prefeitura de São Paulo foi ocupada por Luiza Erundina, natural da Paraíba, e Celso Pitta, nascido no Rio de Janeiro. Jânio Quadros, natural de Mato Grosso do Sul, foi prefeito da capital por duas vezes e governador do estado. Fernando Henrique Cardoso, também nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para São Paulo aos 8 anos, onde formou-se e iniciou a vida pública, disputando a prefeitura em 1985 e sendo eleito senador constituinte entre 1987 e 1988.

Com informações de G1

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