Política

Hugo Motta indica que não pautará projeto de renegociação de dívidas rurais na Câmara

17 de Junho de 2026 às 12:06

Hugo Motta decidiu não pautar na Câmara o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado. O governo federal estima um impacto fiscal de R$ 140 bilhões em 13 anos, enquanto a Frente Parlamentar da Agropecuária calcula R$ 65 bilhões

Hugo Motta, presidente da Câmara, indicou a aliados que não levará à pauta o projeto de renegociação de dívidas rurais, recentemente aprovado pelo Senado. A medida é vista como um risco fiscal pelo governo federal, cuja equipe econômica estima um impacto de R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. Esse valor é refutado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que calcula o custo da proposta em R$ 65 bilhões para o mesmo intervalo.

O projeto estabelece uma linha de crédito rural específica para a renegociação de débitos de produtores. Originalmente, quando a matéria tramitou na Câmara no ano passado, o benefício era limitado aos agricultores do Rio Grande do Sul, em resposta aos danos causados por estiagens e enchentes. Naquela ocasião, a bancada ruralista tentou estender a medida a estados do Nordeste, mas a iniciativa foi barrada por Motta devido ao elevado impacto financeiro.

Antes da votação no Senado, Davi Alcolumbre, presidente daquela Casa, consultou Motta sobre a possibilidade de a proposta ser pautada na Câmara. O presidente da Câmara respondeu que não conhecia o texto do Senado e que não assumiria o compromisso de votá-lo. Mesmo diante do pedido do governo para que a matéria não avançasse, Alcolumbre manteve o item na pauta e a proposta foi aprovada.

Paralelamente, Motta manifestou desconforto com a influência do desgaste entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre nas votações do Congresso, conflito originado pela recusa de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Câmara defendeu a necessidade de reconciliação entre as partes, argumentando que o chefe do Executivo não pode permanecer sem diálogo com o presidente do Congresso.

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