Política

Lideranças do Congresso Nacional resistem à instalação de CPI para investigar o Banco Master

15 de Maio de 2026 às 06:12

Lideranças do Congresso Nacional resistem à instalação de CPI para investigar o Banco Master, apesar de pedidos com assinaturas suficientes e pressão de governistas e oposição. A hesitação de Davi Alcolumbre e Hugo Motta ocorre em meio a alegações de acordos políticos e ao calendário eleitoral

Apesar da pressão pública de governistas e da oposição pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master, há um consenso nos bastidores do Congresso Nacional de que a cúpula do Legislativo e diversos segmentos políticos não possuem interesse na instalação do colegiado. A percepção entre parlamentares é que a defesa da investigação serve a propósitos eleitorais e de autoproteção, sem a intenção real de efetivar a apuração.

O cenário de resistência é evidenciado pela postura de Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso, e de Hugo Motta, presidente da Câmara. Alcolumbre optou por não instalar a comissão durante a sessão de votação do veto à Lei da Dosimetria, enquanto Motta não deu prosseguimento a um pedido de CPI protocolado em fevereiro por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O calendário apertado devido ao ano eleitoral é apontado como um dos entraves para o avanço das comissões. Além disso, parlamentares do Centrão alertam que a amplitude de uma investigação desse tipo poderia atingir diversos nomes dentro do próprio Congresso.

A movimentação política intensificou-se após a divulgação de áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O episódio levou o PL e partidos aliados do governo, como o PT, a ampliarem a pressão pela criação de uma CPMI. No campo governista, a estratégia seria favorável se a comissão fosse controlada pela base, com presidência e relatoria alinhadas ao governo, visando atingir figuras da oposição.

Atualmente, existem dois pedidos de CPMI com assinaturas suficientes: um proposto por Carlos Jordy (PL-RJ) e outro por Heloísa Helena (Rede-RJ). Jordy, aliado de Flávio Bolsonaro, defende a instalação e critica a falta de transparência do senador sobre sua relação com Vorcaro. Heloísa Helena planeja reunir-se com Alcolumbre na próxima semana para cobrar a abertura dos trabalhos.

Paralelamente, parlamentares como Lindbergh Farias (PT-RJ), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS) sustentam que a oposição teria firmado um acordo com Davi Alcolumbre para derrubar vetos em troca da não instalação da CPMI, acusação negada pelo presidente do Senado e por integrantes da oposição.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) relembrou que um mandado de segurança foi impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF) em março para forçar a criação da CPI. Já o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a oposição desistiu da instalação na última sessão, embora tenha se comprometido a articular a abertura do colegiado com Alcolumbre. Rodrigues, contudo, admite que a proximidade do período eleitoral pode inviabilizar a concretização da comissão.

Com informações de G1

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