Política

Lula afirma no G7 que nunca foi esquerdista e se define como dirigente sindical

18 de Junho de 2026 às 06:07

No G7, o presidente Lula definiu-se como dirigente sindical e defendeu a exportação de urnas eletrônicas auditáveis. Donald Trump classificou o Brasil como perigoso e alegou fraudes nas eleições americanas. Lula rebateu as críticas e afirmou não haver razões para reunião bilateral com Trump

Lula afirma no G7 que nunca foi esquerdista e se define como dirigente sindical
Christian Hartmann / Reuters

Durante o encontro do G7 na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em diálogo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e com o chanceler alemão, Friedrich Merz, que nunca foi esquerdista, definindo-se como um dirigente sindical. A declaração ocorreu após Georgieva mencionar a expectativa de que ele tivesse esse perfil político ao ser eleito pela primeira vez. Lula argumentou que o cenário global atual não é dominado pela esquerda, mas sim pelo centro.

Na ocasião, o presidente brasileiro detalhou o funcionamento do sistema de votação eletrônica do Brasil, defendendo a adoção de urnas auditáveis por outras nações. Em tom retrospectivo, relatou que, nos anos 1980, foi impedido de participar de um congresso na Rússia devido a uma condenação pela Lei de Segurança Nacional, o que o levou a viajar pela Europa em busca de solidariedade.

Paralelamente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o Brasil como um país "politicamente difícil" e "perigoso". Em entrevista à imprensa, Trump confirmou ter conversado com Lula, mas não detalhou se a pauta incluiu a implementação de novas tarifas contra o Brasil ou a designação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.

Trump também traçou um paralelo entre os processos eleitorais de ambos os países, alegando que as eleições americanas são "totalmente roubadas" e que o Brasil "joga duro". Durante a fala, o republicano confundiu os filhos de Jair Bolsonaro. O episódio ocorreu no dia seguinte à condenação de Eduardo Bolsonaro, deputado cassado, a quatro anos e dois meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de tentar interferir no julgamento do pai em uma trama golpista. Eduardo, que reside nos Estados Unidos, ainda não foi preso, pois a sentença não transitou em julgado e cabe recurso. Diferente do irmão, Flávio Bolsonaro, que não responde a processo, Eduardo não é pré-candidato à presidência.

Em resposta às críticas, Lula afirmou que Donald Trump não conhece o Brasil e sugeriu que o presidente americano deveria aprender com a civilidade das eleições brasileiras, ressaltando que ele não deve interferir no processo eleitoral do país. O presidente brasileiro justificou a ausência de um pedido de reunião bilateral com Trump sob a justificativa de que não há razões para o diálogo no momento, dado que as duas nações estão em fase de negociações.

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