Política

Lula classifica como traição à pátria pedido de Flávio Bolsonaro para designar facções como terroristas

29 de Maio de 2026 às 15:12

O presidente Lula classificou como traição à pátria a solicitação do senador Flávio Bolsonaro para que os EUA designassem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. O Departamento de Estado norte-americano oficializou a medida após reunião entre o parlamentar e Donald Trump. O Palácio do Planalto manifestou preocupação com a soberania nacional e possíveis impactos econômicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como traição à pátria a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de solicitar ao governo dos Estados Unidos que as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem designadas como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante um evento em Laranjeiras, Sergipe, onde foram anunciados investimentos da Petrobras no estado que somam R$ 72,5 bilhões. Na ocasião, Lula afirmou que o parlamentar buscou a intervenção estrangeira em questões de segurança pública nacional e ironizou que apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro não teriam a mesma postura se a solicitação fosse para prender milicianos.

A medida foi oficializada pelo Departamento de Estado norte-americano na quinta-feira (28), após reunião entre Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e Donald Trump na Casa Branca, ocorrida na terça-feira (26). O anúncio, feito pelo secretário de Estado Marco Rubio, justifica a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras devido à violência dessas organizações e à atuação do narcotráfico em território americano.

A classificação possibilita a aplicação de sanções a empresas e indivíduos vinculados às facções, o que pode impactar a economia brasileira e as avaliações de agências de risco. Em nota oficial, o Palácio do Planalto manifestou preocupação com a soberania nacional e alertou que a ação unilateral pode comprometer o sistema de pagamentos PIX, além de colocar em risco a vida de cidadãos inocentes e enfraquecer o combate ao crime. O governo federal argumentou que a medida poderia abrir precedentes para intervenções militares no Brasil e ressaltou que a legislação brasileira já prevê penas severas contra milícias e facções, podendo chegar a 80 anos de reclusão.

Enquanto o governo e diplomatas brasileiros temem prejuízos econômicos e interferências nas políticas internas, aliados de Flávio Bolsonaro interpretam a decisão de Washington como uma vitória política. O senador defende a necessidade de cooperação internacional, alegando que as organizações criminosas funcionam como governos paralelos no país.

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