Lula confirma Geraldo Alckmin como vice na chapa para a Presidência da República
Lula mantém Geraldo Alckmin como vice, enquanto Flávio Bolsonaro avalia nomes femininos do PP para a chapa. Romeu Zema negocia com Geraldo Rufino (Podemos), e Ronaldo Caiado e Renan Santos definirão seus vices durante as convenções partidárias
Com a proximidade das convenções partidárias, marcadas entre 20 de julho e 5 de agosto, as equipes de pré-campanha dos candidatos à Presidência da República intensificam as articulações para a escolha dos vice-candidatos. A definição dos nomes baseia-se em dois pilares estratégicos: a capacidade de expandir a base eleitoral, evitando chapas compostas por integrantes de uma única legenda, e a viabilização de coligações que ampliem o tempo de propaganda no rádio e na televisão.
O presidente Lula já confirmou a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa, repetindo a composição de 2022. A decisão ocorreu após debates internos, nos quais nomes como Renan Filho e Renan Calheiros sugeriram a indicação de um vice do MDB para atrair o eleitorado de centro-esquerda. A proposta foi descartada devido a resistências dentro do MDB, que possui alas alinhadas à direita, como exemplificado pela gestão de Ricardo Nunes em São Paulo. Para os aliados de Alckmin, a permanência do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio é justificada por sua discrição, fidelidade e atuação técnica contra as tarifas impostas por Donald Trump.
Já a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) prioriza a escolha de uma mulher para a vice-presidência, visando atrair o voto feminino, especialmente após a repercussão de um vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas ao senador. Entre as opções analisadas estão a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), visando o colégio eleitoral paulista e o público católico; a deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), focada no eleitorado evangélico e na região Nordeste; e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vista como um nome de experiência para equilibrar a idade de Flávio, atrair o agronegócio e contrapor o discurso de soberania nacional de Lula. Embora a senadora tenha classificado a possibilidade como especulação em abril, a campanha de Flávio resiste à indicação da deputada Julia Zanatta (PL-SC), por ser do mesmo partido e não atender ao objetivo de expandir a base para além do núcleo bolsonarista.
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, deve anunciar seu vice nos próximos dias. As negociações avançadas envolvem Geraldo Rufino, do Podemos, cujo perfil de empreendedor e trajetória pessoal traria diversidade à chapa. Além disso, a parceria com o Podemos garantiria tempo de TV ao partido Novo. Contudo, a definição depende de um acordo entre as cúpulas partidárias, já que existe o interesse de que Rufino dispute o Senado.
No caso do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, a escolha será adiada até as convenções partidárias. A equipe de Caiado avalia que o cenário político foi impactado pelo vídeo de Michelle Bolsonaro contra Flávio. A prioridade do ex-governador é assegurar tempo de televisão para aumentar sua visibilidade, embora ainda não haja articulações concretas com partidos de grande porte.
Por fim, a pré-candidatura de Renan Santos mantém a definição do vice para o período das convenções. A tendência é que o nome seja escolhido dentro do partido Missão, embora a possibilidade de diálogo com outras siglas não tenha sido descartada.