Política

Lula critica intenção de Donald Trump de cobrar taxa sobre embarcações no Estreito de Ormuz

13 de Julho de 2026 às 15:14

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a proposta de Donald Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre embarcações no Estreito de Ormuz. A medida norte-americana, rejeitada pelo comando militar do Irã, visa remunerar os Estados Unidos pela segurança da via marítima

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a intenção de Donald Trump de instituir a cobrança de uma taxa de 20% sobre as cargas de embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz. Durante visita aos laboratórios do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, nesta segunda-feira (13), o mandatário brasileiro classificou a medida como "pirataria" e considerou anormal a tentativa de lucrar diante de cenários de conflito.

A reação de Lula ocorreu após declarações de Trump à Fox News, onde o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos atuariam como "guardiões" da via marítima e deveriam ser reembolsados por garantir a segurança do local. Trump detalhou a pretensão de aplicar a taxa por meio de sua rede social, a Truth Social.

Impactos econômicos e geopolíticos

Para o presidente brasileiro, a postura dos EUA é contraditória e antidemocrática, argumentando que o país provoca guerras para posteriormente cobrar pela segurança das rotas. Lula destacou que a instabilidade gerada pelo conflito com o Irã — motivado, segundo ele, por alegações falsas sobre a produção de armas nucleares pelo país persa — reflete diretamente na economia de nações que não participam do embate, elevando os preços de alimentos básicos como arroz, feijão e tomate.

O Estreito de Ormuz é um ponto estratégico de aproximadamente 50 quilômetros de largura que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. A região é vital para a economia global, visto que, antes do início da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo passavam por esse corredor.

Divergências e reações internacionais

A nova posição de Donald Trump diverge de declarações feitas por ele em junho, quando afirmou que o Estreito de Ormuz permaneceria aberto e que não haveria a cobrança de pedágio, focando apenas no bloqueio de navios e clientes iranianos.

A proposta de intervenção norte-americana foi prontamente rejeitada pelo comando militar do Irã, que declarou que não aceitará a interferência dos Estados Unidos na administração do estreito.

Pauta energética nacional

Aproveitando a agenda em São Paulo, Lula também abordou a produção de biodiesel no Brasil. O presidente defendeu o produto nacional e assegurou que não haverá a aplicação de alíquotas extras para países estrangeiros interessados na compra do combustível, comprometendo-se a manter apenas a cobrança de um preço justo.

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